segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Quanto vale um nascimento???

Eu já tinha pensado em falar sobre isso por aqui milhões de vezes. 
Mas sabe aquele desejo que temos de não ferir, de agradar a todos? Pois é...
Eu começava, escrevia algumas linhas, mas acabava deletando.
Só que aí aconteceu uma coisa doida dentro de mim.
Eu percebi que (ohhh!) não tem como agradar a todos o tempo todo. E o melhor caminho acaba sendo o mais óbvio: ser quem agente é, e ter o mínimo de coerência entre o que se pensa, o que se fala e como se age.
Então lá vai.
Esses dias eu acompanhei um parto incrível(logo vem as fotos e o relato).
Essa família quase desistiu. Não por não ter vontade. Não por não ter informação. Não por não ter embasamento...POR NÃO TER DINHEIRO SUFICIENTE!
E ao acompanhar a história dessa família, comecei a refletir sobre a ironia desse mundo da humanização.
Os princípios básicos da humanização do nascimento todo mundo que circula por aqui conhece. O mínimo de intervenções para a mãe e para o bebê,  resgate do protagonismo de ambos no parto, respeito às escolhas da família, posições confortáveis para a mãe parir, enfim...intimidade e respeito.
Levanta-se a bandeira de que todas as mulheres merecem um parto digno, de que todos os bebês merecem um nascimento bacana, de que todo mundo deve buscar isso tudo.
Ok.
Mas me fala uma coisa...quanto isso custa mesmo???
Pouco?Mais ou menos? Muito?

Mais uma pergunta...esse suporte é oferecido pelo SUS?

E outra...qual a parcela da população que pode pagar por isso?

Hã? Como assim? Mas não se espera que os profissionais ditos "humanizados" sejam mais sensibilizados a causas desse tipo?
Pois é.

Gente, deixa eu contar uma coisa.
Antes de ser doula, eu fui gestante, sabe...
E tem todo tipo de gestante. 
E para algumas, talvez por falta de informação, não faz a menor diferença a maneira que o seu filho virá ao mundo. 
Para outras, ainda, é preferível que se faça logo uma cesariana( seja pelo motivo que for, esse post não está aqui para julgar...pelo menos por enquanto).
Agora sentem aqui e deixem eu contar uma coisa: Vocês fazem ideia do tamanho da frustração de uma mãe que sabe dos benefícios do parto humanizado, quer um parto humanizado, acredita no parto humanizado e...NAO PODE PAGAR???
Como faz, produção?
Diz aí?
Me conta, querida doula, como é mesmo que você acredita na humanização para todos, se você cobra em um acompanhamento uma pequena fortuna?
Me conta aí, querido obstetra, como vamos humanizar o mundo, se o que o senhor cobra dá pra sustentar a criança até os 18 anos???

Sim, minha gente, todos temos contas a pagar. 
Mas assim...honestamente...não lhes parece incoerente que alguém pregue que todos devem ter acesso a um nascimento humanizado e beneficie somente a nata da população?
(daí eu penso...pq não cirurgia plástica? Dermatologia quem sabe? ai ai...)
 E aquela mãe que não pode pagar faz como?

 Se um profissional escolhe livremente, entre um milhão de profissões, uma profissão que luta contra o sistema, como é que esse mesmo profissional vai limitar o atendimento só a quem NÃO PRECISA DO SISTEMA PRA NADA???

Então fico  por aqui, tentando gerar o mínimo de reflexão.
E se fosse com você?
E se fosse o seu filho???
Pensem nisso...


Abraços,
Kika

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O parto do pai.

Nesse post quero falar para outro público.
Essa vai para os maridos, namorados, companheiros e afins.
Um recadinho sem rodeios:
 Parto natural não é capricho! Acreditem, não é!
Nenhuma mulher luta por um parto natural para poder contar para suas amigas que conseguiu!!!
Isso é a visão mais surreal do mundo!
E olha, se sua esposa está buscando um parto natural, me faz um favor, não diga a ela que isso é vaidade...Simplesmente não diga...
Além de você estar ignorando tudo relacionado a isso na MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS, estará minando a confiança de sua mulher no que ela possui de mais sagrado: seu próprio corpo.
Se sua mulher é uma pessoa consciente se suas responsabilidades maternas, ciente de seu corpo e de sua capacidade, sensível a ponto de buscar informações na hora de decidir que tipo de parto terá,...antes de chamá-la de hippie alternativa, antes de dizer que parto natural é coisa de índia, simplesmente APOIE, QUERIDO!!!
Antes de dar argumentos bobos, leia...informe-se, estude, discuta, busque argumentos relevantes.
Fazendo isso já é meio caminho andado, porque na metade da trajetória você já vai estar do lado dela.
Se mesmo assim você não for a favor, só porque você tem medo, não ataque.
Revele seu medo.
Desmembre-o até ele virar pó!
Alugue a obstetra(aquela que você acha estranha porque deixa a mulher ficar de quatro no chão da sala de parto para parir), pergunte tuuudo que vier na cabeça. Faça perguntas bobas...e as não bobas também!
Cerque-se de informação e amor...amoleça seu coração e esteja lá pela mulher que decidiu trazer O SEU FILHO ao mundo de forma respeitosa, digna, natural...
Não mine a confiança de alguém que está no momento mais vulnerável da sua vida e só precisa que você diga: ESTOU COM VOCÊ!
Isso também é amor...



domingo, 11 de agosto de 2013

Os bebês bem sentados e seus partos pélvicos...

Falar sobre partos pélvicos é sempre delicado, e as opiniões são as mais diversas, mesmo entre os obstetras humanizados.
Quando uma mãe está na busca por um parto natural, geralmente o fato de um bebê estar na posição pélvica é um baque.
Espera-se, tradicionalmente, que um bebê fique em posição cefálica entre 30-34...35 semanas. No movimento de humanização, aprendi que esses dados são equivocadas indicações de cesariana, considerando que o bebê pode virar-se até mesmo DURANTE O TRABALHO DE PARTO.
Sendo assim, não há motivos para preocupação precipitada...tudo pode acontecer.
O bebê pode, estando pélvico, apresentar das seguintes formas(mais comum):


Lembrando que o bebê pode ainda nascer podálico, onde nascem os pés antes do bumbum.

Existem  coisas que se pode fazer a respeito para ajudar o bebê a virar (dicas e imagens de Naoli Vinaver).
Movimentos como engatinhar(ficar de quatro) por alguns minutos(em torno de 20min), algumas vezes por dia, podem ajudar.



Outros movimentos são bem eficazes, respeitando a frequência indicada anteriormente, tais como:





Após cada exercício, é indicado que seja aplicada a técnica de rebozo para chacoalhar o quadril.

Outras técnicas que podem ser utilizadas:

-Moxabustão.


-Aplicação de compressas quentes no pé da barriga e frias no alto da barriga(acredita-se que o bebê irá virar buscando o calor).
-Aplicação de focos de luz no pé da barriga(mesmo motivo), ou de sons, como vozes conhecidas(papai pode ajudar no processo conversando com o bebê bem pertinho do baixo ventre).
-Busca por homeopatias como Pulsatilla.
-Acupuntura.

E se nada funcionar, ainda temos a opção de uma VCE (versão cefálica externa), onde o médico irá "virar" o bebê com as mãos). Orienta-se que antes desse procedimento, o médico verifique com ultra a posição exata do bebê. Alguns médicos usam também alguma medicação para diminuir a rigidez uterina e facilitar a virada.

Aqui um video mostrando como a VCE é feita:



Se nada disso funcionar, existe a opção de se realizar um parto pélvico.
Pouquíssimos profissionais ainda topam realizar esse tipo de parto, mas eles ainda não foram totalmente extintos...rsrsrs.
Para o parto pélvico(assim como para o parto cefálico, né?), a pior posição e a menos indicada é a de litotomia(deitada de barriga para cima). Quanto mais expandido for o canal da vagina, mais fácil é a saída do bebê(estando ele na posição que estiver). Dessa forma, a posição "agachada" é muito interessante...ou de quatro, ou qualquer posição que não leve o canal vaginal a ser limitado pelo fechamento dos ossos da bacia.





Todas essas dicas valem também para o parto podálico, que é quando os pezinhos do bebê nascem antes.
Aqui uma sequência de fotos bacanas de um parto podálico:


    

    

    

...

Encontrei também, no site da Casa Moara, um lindo relato de parto pélvico natural!
Vejam só:


Com naturalidade e sem intervenção, nasceu meu Pedro-Pélvico

Lucas, primeiro filho de Bianca, nasceu num parto natural muito rápido. Na segunda gravidez, uma surpresa: o bebê estava sentado! “Não era possível! Depois de um parto natural tão bacana eu não queria uma cesárea”, conta ela neste emocionante relato.
Por Bianca, mãe do Lucas e do Pedro
Quando o Lucas completou um ano, cortamos a pílula. Cresci sem irmãos por perto e não queria o mesmo para o meu filho. Ele já tinha a Bruna, mas 20 anos mais velha, está na categoria “irmãe”. Ela apoiava, o Sergio se animou e quatro meses depois eu estava grávida de novo. Fiz um teste de farmácia e deu negativo. Comprei o segundo, e também deu negativo. Fui ao laboratório colher sangue. Era sábado e o resultado só viria na segunda. Comprei o terceiro teste sob protestos do Sergio. Em vez de grávida, ele achava que eu estava louca. Mas… voilà… finalmente os dois tracinhos! Eu estava mais atrapalhada que o normal, mais engraçada que o normal, e quando virava rápido na cama sentia que minha barriga estava descolando. Só tinha me sentido assim quando esperava o Lucas. Era claro que eu estava grávida!
Em vez das reuniões de gestantes no Gama, das infinitas leituras de relatos de partos, do acompanhamento em tempo real da lista de discussão sobre gravidez e parto: o mestrado, os recursos educacionais abertos, o Lucas. Fiz um mês de ioga para gestantes e nunca mais consegui aparecer. Por mais de sete meses, só lembrava que estava grávida quando alguém me dava lugar pra sentar ou sorria na rua sem motivo aparente. Mas, na 28ª semana de gestação, o Pedrinho (que ainda era Gabriel) sentou e virou o centro da minha atenção.
“Ainda é cedo”, me disse a parteira querida que já estivera no parto do Lucas. “Ele vai virar!” Parte de mim confiava nisso, mas algo me dizia que não ia. Trinta e duas semanas e o danado sentado. Trinta e quatro semanas, contrações bem fraquinhas de 30 em 30 minutos, e o danado sentado. O Lucas já tinha nascido antes do tempo, com 36 semanas, e era bom tentar segurar o Pedro (que já era Pedro) um pouco mais. Fiquei em casa, deitada. Só saía para tentar ajudar o pequeno a virar: acupuntura, moxabustão, banho de ofurô.
Com 35 semanas e 6 dias, contrações fraquinhas de 20 em 20 minutos. Acordei vomitando – um dos sinais de trabalho de parto do Lucas – e fui ver a obstetra querida que também acompanhou o primeiro parto. Eu estava com 1 cm de dilatação e o Pedro continuava sentado. A médica tentaria uma manobra externa naquela semana, virando o nenê com suas mãozinhas por fora da barriga, mas quando ela encostava em mim vinha outra contração. O risco de estimular o trabalho de parto não compensava. O melhor era continuar deitada para que ele não fosse prematuro.
“A literatura médica recomenda cesárea em caso de nenê pélvico (que não está de cabeça pra baixo) e prematuro”, disse ela. “Mas se vocês quiserem, podemos tentar um parto normal. É seu segundo filho, o Lucas nasceu bem com 36 semanas…”. Na verdade, não sei bem se foi isso que ela disse. Mas com certeza foi algo parecido. A palavra cesárea me tirou os sentidos. Não era possível! Depois de um parto natural tão bacana eu não queria uma cesárea. “Mas não seria “desneCesárea”, seria uma cesárea necessária”, as amigas tentavam me animar. Eu sei que sim. Mas assim mesmo estremecia ao pensar nela. Foi aí que me dei conta de que minha opção pelo parto normal não era só militância, pelos abusos cometidos no Brasil. Mas um pavor da cirurgia. Eu suava frio de pensar em alguém cortando a minha barriga, nos pontos, em cuidar de um nenê num pós-operatório. Eu não queria uma cesárea de jeito nenhum! Desnecessária ou necessária, eu não queria passar por ela.
Foram dias muito difíceis. Encontrei pouca coisa para ler, não conseguia conversar com ninguém direito. Me sentia bastante sozinha naquela angústia toda. Desde que saímos do consultório da obstetra, meu marido era claro: a médica é que precisava saber como seria o parto, e se o melhor para o bebê fosse a cesárea deveria ser uma cesárea. Parte de mim concordava. Parte de mim queria sair correndo. E outra parte insistia que mesmo um nenê pélvico prematuro deveria nascer naturalmente.
Decidi escrever para a lista Materna. Adiara por vergonha. Eu tinha desaparecido por dois anos e ia chegar pedindo apoio… Escrevi! As respostas foram muitas e todas elas animadoras. Reli um email da parteira, das 32 semanas, que dizia que, se o nenê não virasse na acupuntura, minha obstetra o viraria no consultório. “É bem tranquilo, ela é boa disso!!! E se for o caso, parto pélvico normal, minha filha, você é boa disso!!!!”. Deu uma baita força. E lendo e relendo as respostas, decidi procurar em inglês. Será que encontraria algum texto, algo mais sólido? Encontrei “o” texto: “Hands off that breech!” O resumo, pelo menos na minha cabeça: “se o trabalho de parto do nenê pélvico evoluir bem, sem nenhuma intervenção, vai dar tudo certo. Se aparecer algum sinal negativo, é melhor não arriscar e cortar a barriga”. Pronto! Eu precisava de algo bem definidinho assim para a minha cabeça confusa. Fui dormir aliviada.
No dia seguinte, minha mãe apareceu em casa. Me convidou pra cortar o cabelo, numa tentativa de me animar. Fomos a um salão do do ladinho de casa, passamos o dia juntas e umas 20h ela foi pra casa dela, do outro lado da cidade. Eu sentia vontade de pedir para ela ficar, mas não tinha nenhuma razão concreta…
Coloquei o Lucas para dormir e estava na sala conversando com o Sergio quando decidi anotar o horário de uma contração. Ela continuava bem fraquinha, mas parecia estar mais frequente. 22h41. Anotei outra às 22h52. Percebi um pequeno sangramento, tomei um banho rápido e anotei outra às 23h02. Telefonei para a médica. “Estou em um parto aqui no hospital”, ela me disse. “Se achar que vai engrenar, vem para cá e avaliamos”. Decidi contar um pouco mais. E quando deu meia-noite, telefonei para a parteira, só para ela ficar ligada, vai que… “Querida, o parto do Lucas foi rápido. Se você teve sangramento e está com contração de 10 em 10 minutos, acho melhor ir para o hospital”. De fato, foram 4h30 de trabalho de parto ativo da primeira vez. Mas as contrações estavam tão fraquinhas… Não parecia sério. O Sergio me estimulou a aceitar o conselho. Telefonamos para Maria Lucia, irmã dele que mora no mesmo prédio que a gente, e ela desceu pra ficar com o Lucas, que dormia tranquilamente.
Entramos no carro e na esquina de casa eu queria voltar. “Tá vendo? Passou! Não tô sentindo contração nenhuma. A gente pode voltar.” A sensatez do Sergio insistiu que não custava nada ir até o hospital. Se fosse alarme falso era só voltar pra casa. Lembrei do pediatra. A experiência com o Lucas no hospital tinha sido ruim porque nosso pediatra não chegou. Não podia acontecer de novo! Liguei em todos os números e nada! Para completar, eu sabia que ninguém chegaria ao hospital se a coisa fosse mesmo pra valer. Minha mãe e a Bruna, que acompanharam o parto do Lucas, estavam muito longe. Seria rápido e elas não chegariam. O Sergio tem pavor de sangue, não assistiu o primeiro parto e já estava certo que não assistiria o segundo também. Eu pensava no pediatra do hospital tocando o terror, na cesárea, em estar sozinha durante o parto e entrei em pânico! A obstetra telefonou para saber se eu ia para o hospital. Atendi chorando e ela percebeu. Disse para eu ligar quando chegasse, que ela me encontraria na recepção.
Comecei a preencher a ficha entre uma contração e outra ela apareceu. Que abraço terapêutico! “Que bom, querida! Vai ser hoje”, ela disse naquele tom de fada. “Eu não consegui falar com o pediatra”, pude responder. “Quer que eu tente outro?” Eu queria muito, e ela conseguiu. Que alívio! Decidi telefonar pra Marcella, amiga-irmã que mora no Brooklin, pertinho do hospital, e ela foi me encontrar. Tinha pediatra, tinha a Marcella, tinha a obstetra, a parteira estava chegando. Tudo começava a ficar bem. A médica fez o toque e eu estava com 7 cm de dilatação. Tudo tão ameno, contrações tão levinhas… Nem dava pra acreditar. Chatices do hospital me prenderam por uns 20 minutos. A parteira chegou quando eu já estava na sala de pré-parto. A médica fez outro toque e já eram 10 cm. Nisso a bolsa estourou. Aí… minha nossa… palavras não vão dar conta… Um tsunami passava pelo meu corpo a cada contração. Doía muito! Eu sentia muita vontade de fazer força! Eu gritava muito! E oito contrações depois (segundo a parteira) ele estava nos meus braços. Rápido assim, fácil assim. Algumas dessas contrações foram no pré-parto, outras no corredor, as últimas na sala de parto prateada. Sei que muita coisa passou na minha cabeça naquele momento. Só me lembro, com extrema clareza, de ter pensado nos partos pélvicos que li em “A Tenda Vermelha” (livro muito bacana que a Lia me emprestou durante o repouso, pena que está esgotado).
A médica perguntou se eu queria ficar de cócoras. Pensei que não dava tempo porque ele já estava saindo, mas só consegui responder um ríspido “não”. Senti cada parte do corpinho do Pedro saindo de dentro de mim. Primeiro o bumbum, depois as perninhas, depois o resto do corpo. Tudo muito rápido. Tudo muito intenso. Eu sentia calor e a camisola do hospital incomodava, mas eu também sabia que tirar a camisola ia atrapalhar. De vez em quando via o rostinho assustado da Marcella. De vez em quando falava com a médica ou a parteira em monossílabos. E com muita força, com muita naturalidade, com muita rapidez, sem nenhuma intervenção, à 1h19, nasceu meu Pedro-Pélvico!
Ele nasceu quietinho e eu percebi alguma tensão no ar. Sabia que estava tudo bem com aquela coisinha pequena, cheirosa e molinha, mas disse que podiam tirar de perto de mim pra examinar se quisessem. Quando a pediatra pegou o pequeno, ele resmungou. Ela disse que nesse momento ficou tranquila porque sabia que estava tudo bem. Ela se moveu em direção a uma bancadinha de frente para a maca onde eu estava e eu sentei pra acompanhar. Alguém fez piada: “Como assim alguém acaba de parir e já se mexe desse jeito?” Eu estava ótima! Não tinha dor nenhuma, nenhum cansaço. Estava feliz e tranquila. Tirei a camisola porque não aguentava mais aquele treco me apertando e vi o Sergio fantasiado com a roupa de hospital e um olhão arregalado. Ele tinha decidido assistir o parto. Nunca vou ter a dimensão de tudo o que ele superou para tomar essa decisão. Deu uma olhada geral e me perguntou: “Nasceu? Foi normal?”. Respondi e apontei para onde estava o Pedro. Ele pegou o pequenininho e me devolveu. Que momento mais indescritível… Antes de meia hora de vida ele sugou com força, como tem feito até hoje. Aos cinquenta dias, Pedro engorda em média 45 gramas por dia, pendurado no peito da mamãe. E quando deita de barriga para cima abre cada perna pra um lado, não deixando dúvidas de que esteve sentadão na barriga!
(Fonte: http://casamoara.com.br/com-naturalidade-e-sem-intervencao-nasceu-meu-pedro-pelvico/)

E para terminar com chave de ouro, as palavras de Ana Cristina Duarte:

Mães, Médicos e Parto Pélvicos

26 de fevereiro de 2013 - 23:26
Por Ana Cristina Duarte
Olha, vou contar para vocês um pouco sobre partos pélvicos, o que conversei ontem com uma linda gestante cujo bebê resolveu ficar sentado até o final da gestação. Ela agora está na difícil tarefa de ter que escolher o que fazer.
Houve um tempo, até uns 50 anos atrás, que pélvico era um tipo de parto. Simples assim. Os médicos sabiam, as parteiras sabiam, e pronto. As nossas bisavós tiveram ou tinham uma irmã ou amiga que teve parto pélvico, sem maiores delongas.
Até que surgiu a cesárea, cada vez mais segura, cada vez mais comum. Nos cursos de medicina os médicos foram perdendo contato com o pélvico e na ausência do professor, operavam. Muitos cursos de medicina pararam de ensinar parto pélvico.
Em 2000 uma mulher do Canadá publicou um artigo enorme dizendo que o parto pélvico tinha mais risco para o bebê do que a cesárea. Esse artigo destruiu de vez as chances de um médico aprender a fazer parto pélvico e as mulheres de terem esse direito.
Cinco anos depois, já tinham saído mais dois artigos, um provando que o anterior foi tremendamente mal feito e não tinha o valor acadêmico que lhe foi atribuído e outro acompanhando essas mesmas crianças que nasceram no trabalho anterior e mostrando que a médio prazo a via de parto não fazia diferença para as crianças. Mas que a médio prazo continuava sendo pior para as mulheres a cesariana.
Agora já estão em andamento trabalhos nos EUA, Alemanha, Israel, França e Austrália mostrando que o parto pélvico é tão seguro quando a cesárea, respeitadas algumas condições (bebê de termo, com menos que 4kg).
Qual é a questão no Brasil? A questão principal é a do risco profissional. Para os que não sabem fazer parto pélvico, o cara tem pavor de acontecer alguma coisa. Para os que sabem, o problema é o risco jurídico. Diante da cultura da cesariana no Brasil, qualquer coisa que aconteça num parto pélvico, mesmo que seja alguma coisa nada a ver com o parto, algo que a criança já tinha, até um problema congênito, por exemplo, o médico vai ser acusado de ter causado aquele dano.
Às vezes não é nem o paciente que move processo, mas sim outros médicos. Num parto pélvico recente que acompanhei num hospital, o bebê nasceu e foi atendido por um pediatra da casa (não deu tempo de chamar um dos nosso). O pediatra enlouqueceu por terem deixado o bebê pélvico nascer de parto normal e disse pro médico e para os pais que tinham fraturado as duas pernas do bebê. O bebê não teve fratura alguma, raio X veio lindo, o médico não se conformou, mandou fazer de novo o raio X, que veio lindo novamente, e só assim ele parou de infernizar a pobre mãe e o pobre médico.
E tem muito médico por aí que acha um absurdo parto normal ou natural, quanto mais um parto pélvico. Que loucura, que perigo!
Até mesmo em partos normais a gente vê isso. Qualquer problema que o bebê tenha, se nasceu de parto normal, a culpa foi do parto. Paradoxalmente são os bebês nascidos de cesariana que têm mais problemas. Mas ninguém se preocupa com esses, nesse caso o bebê é que era doentinho. Mesmo que seja um pulmão molhado com 10 dias de UTI. Não são só médicos que estão tão mal-educados quanto à questão do nascimento. Toda a sociedade está! Muitos maridos, famílias, amigas, enchendo a cabeça das mulheres que terão ou que tiveram um parto pélvico normal.
Atender, dentro desse cenário, um parto pélvico, é um serviço para heróis. O risco que esses médicos e parteiras correm não é do parto. É o da sociedade em que vivemos.
É o papel de cada uma de nós aqui, como mães, profissionais e educadoras (toda mãe é uma educadora), mostrar para a sociedade, em palavras meigas e sutis, que as pessoas enlouqueceram! Que as pessoas não estão entendendo a questão do nascimento.
Ninguém pensa nos riscos que uma mulher corre a longo prazo após uma ou mais cesarianas. Ninguém quer saber das placentas acretas, prévias, rupturas, infertilidade. Ninguém cumprimenta uma mulher que teve um parto pélvico. As pessoas a chamam de louca!
E cabe a cada uma de nós ajudar a mudar esse cenário.
Deixo aqui meu abraço a cada mãe que teve a coragem de ter um parto pélvico e um abraço ainda mais forte em cada mãe que não conseguiu vencer essa gigantesca onda contrária, quase tsunâmica. E um abraço ainda mais forte e profunda solidariedade a quem quis tentar, mas teve seu direito negado.
Todos vocês são absolutamente dignas de toda a nossa admiração.
Um abraço longo e demorado a cada profissional de saúde que tem a coragem de permtir a uma mulher parir um bebê que resolveu vir com o bumbum primeiro.
Ana Cris

Artigo de 2000 que destruiu a arte do parto pélvico em todo o planeta (Valeu Hannah, amei, fofa):http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(00)02840-3/abstractArtigo feito 5 anos após criticando o de 2000 (valeu, pessoal!)http://www.ajog.org/article/S0002-9378(05)01362-1/abstract
Analisando as crianças 2 anos após o parto e mostrando que no final não havia diferença:http://europepmc.org/abstract/MED/15467555
Revisão sobre Versão Cefálica Externa (manobra para virar o bebê ainda dentro da barriga, possibilitando um parto cefálico)
Alguns vídeos que eu gosto sobre parto pélvico:
Por Ana Cristina Duarte – Obstetriz em São Paulo

Espero ter ajudado...
Beijo grande,
Kika Doula


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Mulheres empoderadas


Até eu entrar nesse universo paralelo da humanização do nascimento, não tinha muita ideia do real significado da palavra EMPODERAMENTO.

Não sabia decifrar, não sabia usar, era rara em minhas frases.

Foi então que engravidei pela segunda vez . Comecei a buscar...veio uma sede inesgotável em mim. Sede por informações, por círculos de bate-papo, por trocas de experiências, por relatos de parto, vídeos, tudo que tivesse alcance. Busquei isso loucamente.

Nasceu José.

Cinco meses depois, lá estava eu grávida novamente.

Mais busca. Mais sede. Sede alucinada. Incansável.

Veio o convite da minha doula linda(Fabi Panassol) para o curso de capacitação de doulas.

Desse dia em diante, meu mundo se abriu. Era um caminho sem volta, eu sentia.

Comecei a ter contato próximo então, com o tal empoderamento.

Com mulheres empoderadas.

Sabe o que são mulheres empoderadas? Eu conto.

São mulheres que buscam, engolem, bebem informações.

São mulheres que querem seus partos. Buscam o resgate ao protagonismo desse momento(o mais importante de suas vidas). São mulheres que simplesmente não aceitam não como resposta. Testam seus limites físicos e psicológicos em nome do respeito ao nascimento. Elas não permitem que seus filhos sejam “nascidos”...eles nascem. Na sua hora, no lugar escolhido por ELAS, do jeito DELAS.

Cesarianas eletivas? Não.

Desculpas esfarrapadas de obstetras cesaristas? Também não.

Corte precoce do cordão umbilical? Episiotomia? Fórceps? Litotomia? Com elas não, obrigada.

São hippies malucas que querem parir como índias? 

Podem julgar, elas não ligam...

São mulheres DONAS DE SEUS PARTOS, DE SEUS CORPOS E MÃES CONSCIENTES, desde o minuto em que sabem-se mães.

Então, como se o mundo obstétrico convencional já não fosse uma barreira sistêmica de bom tamanho, eis que se deparam com uma barreira tão grande quanto(ou ainda maior): dificuldades financeiras.

Pensa que elas se acovardam? Desistem? Correm para o médico do cesarista do convênio?

Faça-me rir.

Elas continuam.

Meses atrás, quando eu ainda estava recém-parida (rs), postei no facebook o relato do meu último parto.

Para minha surpresa, veio falar comigo uma gestante de segunda viagem, a Débora Ribarski.

Ela vinha de uma cesárea eletivérrima(como ela mesma descreveu), onde mesmo já sendo suuuper a favor do parto normal, foi apavorada no finalzinho da gestação, por sua obstetra(novidade???). Acabou sucumbindo suas convicções e aceitando a tal cesárea salvadora.

Débora engravidou novamente, e dessa vez não permitiria que isso acontecesse. Estava decidida.

A gestação avançou, nos falamos pouco, até que, no auge de suas 30 semanas, ela me procurou novamente.

Fui conhece-la pessoalmente e a sintonia foi instantânea.

Menina linda, família tranquila, decisões embasadas, e um problema:

Era preciso correr atrás do dinheiro para o parto.

Ela, que não se deixa abater fácil, resolveu por seus dotes em prática e começou a confeccionar lindas toquinhas de crochê , que vendem muito bem(como todo trabalho bem feito).

Mas isso ainda não foi suficiente, e como ainda temos 10-12 semanas pela frente, tivemos a ideia de fazer uma vaquinha virtual, inspiradas na ideia da Natasha Orestes(que pagou seu parto arrecadando doações on line). 

Pessoas que acreditam na humanização, teoricamente são sensibilizadas por causas como esta, certo???

Certo.

Parteira facilitou, doula apoiou, e lá vamos nós correr atrás do valor do seu tão sonhado parto domiciliar.

Porque afinal, a humanização não pode, nem deve ser privilégio de mamães de uma ou outra classe, né?

Então vai aqui o link da vaquinha para o parto do Raul:




(na foto, Débora e Vicente esperando Raul)

Qualquer quantia já é profundamente significativa.
Ajuda ai, vai...

Ah, e tem outra coisa...a Débora queria muito, mas muuuito agradecer para todo mundo que colaborasse. Então teve a ideia sensível e delicada de mandar pelo correio para cada colaborador, isso:

Esse pássaro de origami chama-se tsuru. Reza a lenda japonesa que quem dobra mil desses mentalizando e fazendo seu pedido, terá a realização do mesmo. Ainda, quem oferta um tsuru a outra pessoa, está desejando a ela boas vibrações, sáude e prosperidade. 
E é isso que a família do Raul deseja a todos que de alguma forma estão colaborando para que esse sonho se torne realidade! 
A Débora e a mãe dela já estão dobrando tsurus(Débora, tu me emociona demais...tudo vai dar certo, pode acreditar, estamos juntas nessa).


Muiiiito grata desde já.


Bj grande,

Kikadoula

domingo, 7 de julho de 2013

Sexo na gravidez

Sexo na gravidez...
Esse assunto gera bastante polêmica, e como tudo que cerca uma grávida, merece atenção especial.
Quando uma mulher descobre que está grávida pela primeira vez, dificilmente está preparada para as mudanças que estão por vir. Essas mudanças tangem não só o corpo em constante transformação, mas também o psicológico dessa mulher, que estará mais frágil e sensível do que nunca.
O primeiro trimestre gestacional, apesar de para algumas mulheres nem se fazer perceber, para muitas é cheio de incômodos normais desse período, como náuseas, tonturas, desconforto e principalmente insegurança em relação a segurança do seu bebê(considerando que muitas mulheres abortam espontaneamente nesse primeiro momento gestacional). Além disso, existe uma baixa da libido. Isso é natural.
(Em gestações de risco ou com mulheres que tem histórico de aborto, é indicado que se converse com o obstetra de confiança para maiores recomendações e quem sabe, um breve recesso sexual, e qualquer sinal deve ser comunicado ao obstetra, como sangramento ou perda de líquidos.)
Passados os 3 primeiros meses, geralmente a gestante já está mais confortável com sua “condição gravídica”...começa a sentir os movimentos do bebê(aumentando sua confiança na capacidade de gerar) e, ainda, geralmente recupera seu desejo sexual.

Chegam então os mitos do sexo na gravidez...

-O pênis vai machucar o bebê?
Não, não vai. Primeiro por ele não alcançar o bebê, segundo devido ao fato de que o bebê está suuper protegido lá dentro do útero, e amortecido pelo líquido amniótico.

-O sexo vai causar aborto.
Não...o sexo na gravidez não causa aborto, não. Em gestações de risco, o que vale é o que o médico recomendar. Mas se sua gestação está saudável, nada lhe impede fisicamente de ter relações com seu parceiro.

-O bebê vai sentir...
O bebê, no começo da gestação, é pequeno demais para sentir esse tipo de coisa. E quando a gestação estiver avançada, ele apenas vai sentir estímulos motores, como se a mamãe estivesse se exercitando, caminhando ou algo do tipo.

-O orgasmo pode causar parto prematuro.
O orgasmo caracteriza-se, entre outras coisas, por contrações uterinas. Em uma gestação de baixo risco, isso não é um problema.
No final da gestação, inclusive, no caso da gestante ter optado pelo parto normal, essas contrações uterinas podem ser extremamente benéficas, preparando o corpo para o parto.
No sêmen, há uma substância chamada prostaglandina. Essa substância tem o poder de relaxar o colo do útero, sendo indicado então no final da gestação que se PRATIQUE SEXO como auxílio natural para o início do trabalho de parto(bom, né?). Além do mais, os hormônios liberados durante a relação sexual e o orgasmo relaxam a gestante, e isso é bom para o bebê.



Muitas vezes, a gestante não sente-se  confortável a praticar sexo com seu parceiro, por não sentir-se a vontade com o novo corpo que habita. Isso é muito comum e pode trazer insegurança. Acho importante lembrar que na gestação, o que vale é a intimidade do casal, ainda que seja para uma boa conversa ...se você não sente liberdade com seu corpo, é bacana  expor isso de forma tranquila, né? (E sinta-se linda! Com certeza você está!).
Conforme a barriga vai crescendo, as posições sexuais as quais a gestante estava acostumada podem ser desconfortáveis, e vale a adaptação ao novo momento. Conte com a colaboração do seu parceiro e redescubram-se! Toquem-se com carinho, com suavidade, com a gentileza que uma grávida merece! É o ápice da feminilidade!
Nos últimos meses, realmente o desconforto toma conta da gestante, que está com alguns quilos a mais, dores na coluna e inchaços...ela está no seu limite físico! O sexo aqui ainda é liberado, mas vale lembrar que nem só de penetração é feita uma relação sexual. Toques, mimos e carinhos são muito bem vindos.
Muitas vezes os homens sentem-se inseguros com a nova condição da companheira, que afinal, agora carrega seu filho no ventre. Isso pode travá-los. Geralmente uma consulta esclarecedora com o obstetra na presença do papai resolve tudo. Perguntem perguntem e perguntem! Sem medo de ser feliz, gente!
Sexo na gestação, se for da vontade e consentimento de ambos, não só não é prejudicial, como une e aproxima o casal, gerando cumplicidade e harmonia(e isso indiscutivelmente faz bem ao bebê: mamãe feliz, bebê feliz!).
Em suma, o que for bom para os dois é bom para o bebê.
Encontrei um vídeo bem bacana que mostra algumas posições que podem ajudar nessa hora, vale a pena conferir.





Espero ter ajudado.
Abração,

Kikadoula

terça-feira, 25 de junho de 2013

O sonho da amamentação.

Atendendo a pedidos da minha super amiga-irmã-confidente-enfermeira Nikole Dallasta (que atualmente reside em Carazinho-RS), hoje vou falar sobre amamentação.Vamos lá...
Bom, antes de tudo quero deixar claro que amamentar seu filho é sempre a melhor escolha, e isso não é apenas a minha opinião, mas também é a recomendação da OMS. Nesse link vocês podem encontrar informações válidas e reconhecidas para embasar esse post.
Quero também entrar no mérito das primeiras dificuldades para amamentar. 
Sim, elas existem...e aquelas lindas propagandas de bebês recém-nascidos mamando  com suas mães sorrindo não condizem exatamente com a realidade.
Amamentar é para os fortes...ou melhor, para AS fortes.
Vou dar aqui dicas simples e baratas para facilitar esse processo, baseadas em pesquisas e experiências pessoais ou de pessoas próximas. 
Vamos por partes:
1) Prepare seus seios para amamentar(caso essa seja a sua escolha-espero que seja). Como? Medidas simples como não passar hidratante nas auréolas durante a gestação são uma boa pedida, visto que a ideia é que elas não fiquem macias, mas "grossas" para receber as sugadas(nada sutis) de um bebê que recém chegou ao mundo. É bacana também usar bucha vegetal nessa região dos seios na gestação(funciona tipo  uma esfoliação bruta), ou, se doer muito(só no começo, depois você vai acostumar), esfregar uma toalha bem felpuda.  Pegar sol nos seios é recomendado, mas confesso que nunca fiz .
2) Quando o bebê nasce, leve-o ao peito imediatamente. Ele vai ter acesso ao colostro. Colostro ainda não é o leite propriamente dito, mas um fluido riquíssimo em água, proteínas, sais minerais e, principalmente, anticorpos conhecidos como imunoglobulinas, que fortalecem o  sistema imunológico do bebê, protegendo-o de infecções e viroses. Esse primeiro "leite" é conhecido também como a primeira vacina do bebê, e é de vital importância. Muitas mães se assustam com sua coloração e consistência(muito viscosa e fluida), e acabam pensando que seu leite é "fraco", mas isso é pura falta de informação.
3) O começo da amamentação não é um conto de fadas(quase nunca). Seus seios podem doer, arder, e até rachar, e sim, isso é mais comum do que se imagina. Para isso, pode-se recorrer a métodos de alívio naturais para cicatrização (o próprio leite, se passado no bico do seio depois das mamadas, funciona suuuper bem), óleos que encontramos em farmácia (óleo Dersani é in-crí-vel) ou ainda, em casos mais graves onde há alguma inflamação ou algo do gênero, uma pomadinha mágica chamada Omcilon (com essa, tenha o cuidado de lavá-la antes da próxima mamada, pois o bebê não pode ingeri-la).
 Agora sobre regularidade das mamadas...
Sou a favor da amamentação em livre demanda. Isso não só é opinião pessoal, mas também apoiada pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que orienta e dá bons motivos para que seu bebê seja alimentado sempre que quiser.
Existem um milhão de motivos para amamentar, e vou citar alguns deles aqui:
1) A mãe perde peso, e o bebê ganha peso.
Olha só que maravilha!!! Você recupera mais rapidamente seu corpo anterior à gestação e seu filho fica super bem alimentado. Amamentando exclusivamente (recomendado até os seis meses), o seu gasto calórico diário vai de 200 a 500kcal, A criança que usa fórmulas artificiais corre o risco de engordar muito, e amamentando ela não fica nem obesa, nem desnutrida.
2)Você economiza horrores(tem ideia de quanto custa uma daquelas latinhas de leite artificial para recém-nascidos???).
3)Você fica mais calma e tranquila. Isso se deve a ação de dois hormônios que agem durante o aleitamento: a prolactina( induz o corpo a produzir leite) e a oxitocina( aquele, o hormônio do prazer, lembra? Ele ajuda a ejetar o líquido da mama) Combinados, estes hormônios agem no organismo da mãe. 
4) Cria um laço fortíssimo entre a mamãe e o bebê.
(Veja bem, não estou dizendo que mães que não amamentam não tem laços de afeto com seus bebês, apenas digo que a amamentação facilita profundamente esse processo, ok?)
5) Amamentar deixa seu filho mais inteligente.
Hã? Como assim?
Assim, ó...O cérebro de um bebezinho ainda não está completamente formado.  Nos três primeiros anos  é que a quantidade de neurônios e sinapses (conexões entre neurônios) aumenta. “O leite materno tem substâncias que favorecem esse desenvolvimento”
6)Amamentar ajuda na formação da mandíbula e da língua do bebê.
Conforme a especialista em amamentação e fonoaudióloga Fabiola Costa, quando o bebê suga o peito da mãe, tem a musculatura da boca exercitada.Este tipo de exercício é muito importante, no futuro, para o desenvolvimento da fala da criança. 
Ah, outra coisa...quando você dá de mamar, seu corpo é estimulado a produzir mais leite. Ou seja, quanto mais seu bebê mama, mais leite você produz. Bacana né?
Também vale lembrar que a alimentação saudável da mãe deixa o leite saudável para o filhote, e beber bastante líquido na amamentação é bem importante.
Em alguns casos,nas mamães de cesárea eletiva, o leite custa a "descer". Isso se deve ao fato de que  durante o trabalho de parto, o organismo da mulher libera os hormônios ocitocina e prolactina, que facilitam a descida do leite. (cito especificamente cesáreas eletivas porque geralmente ocorrem antes que o corpo da mulher dê qualquer sinal de que o bebê está pronto para nascer, e nesses casos, o trabalho de parto ainda não deu início. Sendo assim, esses hormônios podem ainda não ter sido liberados, mas isso não é uma regra...). Em todo caso, existe um remedinho bacana(não conheço uma contra-indicação para seu uso, mas se souberem me avisem), que ajuda na "descida do leite". Chama-se  Syntocinon e é  um spray nasal de fácil aplicação.
 Existem  também,em alguns mitos bem comuns sobre amamentação, tais como:
- "Meu leite é fraco"
Gente, não existe leite fraco, tá? Leite é leite, e o seu leite é tudo que seu bebê precisa!
-"Meus peitos são pequenos, logo não vou ter leite."
O tamanho das mamas não tem absolutamente nada a ver com o fluxo de leite...mulheres com peitos pequenos podem amamentar, assim como mulheres com peitos de todos os tamanhos do universo!
-"Coloquei próteses de silicone nas mamas, não vou poder amamentar."
Mentira. Eu mesma coloquei silicone depois da minha primeira gestação e amamentei após minha segunda e terceira gestação.
-"Se não consegui amamentar meu primeiro filho, não vou conseguir amamentar o segundo."
Nada a ver...amamentação depende de esforço pessoal, apoio da família, informação ...
-"Fiz redução dos seios, não terei leite,"
Esse item  poderá, eventualmente, dificultar a amamentação, pois poderão ter sido mexidos na redução, os ductos mamários, mas vale um acompanhamento médico e uma boa dose de persistência da mamãe.
-"Minha mãe não tinha leite, eu também não vou ter."
Não existe pesquisa comprovada indicando que se a mãe não teve leite a filha não vai ter...Não é algo que se herda...

Bom, acho que consegui sanar as dúvidas mais frequentes sobre amamentação, mas vale lembrar que estar munida de apoio da família, busca por informação durante a gestação e  uma equipe bacana pra te ajudar nos primeiros momentos(obstetra, enfermeiras, técnicas de enfermagem) ajuda muito. Persistência também é palavra-chave nesse período. 
As rachaduras somem, a mamãe se acostuma, a dor inicial passa, o peito "engrossa", e fica, de tudo isso, um vínculo lindo, de algo que só você pode fazer pelo seu filho!
Afinal, maternidade consciente começa no gestar!!!

E quando me perguntam por que eu amamento, eu respondo:

Quando eu amamento, hoje, eu vejo isso:

Agora, com sua licença, vou lá, amamentar meu caçula, que aos quase 5 meses, nunca colocou na boca algo que não fosse meu leite...

Beijos a todas...

Kikadoula


segunda-feira, 17 de junho de 2013

As "desnecesáreas"...

Vamos falar sobre cesarianas?
Antes de tudo quero corrigir um erro comum.
"Meu filho nasceu de parto cesáreo".
Não, darling...cesariana não é parto. Cesariana é cirurgia.
Como todas as cirurgias do universo, há de se avaliar o risco-benefício, coisa que não tem sido feita pela maioria  dos obstetras, que vem indicando cesarianas o tempo todo, como se não houvesse amanhã.
Se você, por exemplo, gostaria de perder alguns centímetros de cintura, você tem duas alternativas:
Ou você malha e regula a alimentação, ou faz uma lipo, certo?
Se você resolve pela lipo, vai até o cirurgião plástico e espera que NO MÍNIMO ele seja honesto contigo, expondo os RISCOS da cirurgia...
Digamos que ele te diga que malhação já era, que é coisa do século passado, que lipo é bem melhor, que não tem risco nenhum, que você não vai sentir nada e que ele aconselharia essa lipo para a filha dele, de tão pouco arriscada e bem indicada...que malhar é coisa pra gente que quer passar trabalho, ninguém mais faz isso hoje em dia.
Você sai de lá com a data da operação marcada na agenda do celular, feliz da vida, pensando nas coitadas que optaram por malhar e não conheceram o médico MARAVILHOSO que você teve acesso(sortuda você,hein?).
Chega o dia marcado, você tranquiliza sua família, vai para o hospital e...bem, é uma cirurgia...tudo pode acontecer...e acontece! Você tem uma complicação absurda, um pós-operatório complicadíssimo, uma embolia pulmonar.
C...como assim, doutor?
Assim, querida...bem assim. É  uma cirurgia, não tem como não haver riscos.
 Isso vale para as cesarianas.
Sim, vale. Não adianta fazer cara feia.
Poder fazer as unhas antes de ter seu filho, não sentir absolutamente nada e marcar a data do nascimento tem lá seus contras (muitos).
A cesariana, como sempre falo e vou continuar falando aqui, é uma dádiva. Salva mamães e bebês o tempo todo. QUANDO BEM INDICADAS!
Véspera de feriadão não é indicação para cesárea.
Numerologia não é indicação para cesárea.
Disponibilidade do médico naquela data também não...nem vida sedentária da gestante, nem modernidade dos tempos, nem bebê grande demais, nem pequeno demais, nem circular de cordão(gente, essa é a mais sem noção de todas!), nem o risco de rasgar tudo "lá", nem mais um milhão de indicações rasas e insanas usadas covardemente por  ALGUNS médicos, cheios de termos técnicos, que assustam e convencem a gestante a perder a autonomia no momento mais importante de suas vidas: a chegada de um filho.
Embasando o que eu digo, cito aqui uma lista bem bacana (não minha, mas da obstetriz Ana Cristina Duarte) de reais motivos pelos quais devemos aceitar uma indicação de cesariana.
Essa é uma lista séria, e espero que vocês possam sanar suas dúvidas e entender que o parto é um evento fisiológico, e que nós, mulheres, fomos feitas e temos corpos preparados para parir por vias vaginais.
Sim, TODAS NÓS.
  
Como você gostaria de receber seu filho...assim?




Ou assim...?


Empodere-se, o parto é seu!

Abração, Kikadoula