domingo, 13 de outubro de 2013

A chegada de Helena

Esse relato é dedicado primeiro as minhas filhas, Sofia q me ensinou a ser mãe e Helena q chegou de mansinho e me ensinou a acreditar!
E depois a todas as mães e futuras mães...

lembre-se sempre há tempo de fazer diferente, alias esse relato é a prova viva disso!

Para escrever o relato do parto da Helena, nao posso deixar de escrever sobre o parto da Sofia...

Esse relato começa em 22/02/2010, qndo descobri q estava gravida da Sofia! Desde sempre eu queria ser mãe e mais desde sempre ainda eu tinha certeza q seria de parto normal. Minha mãe teve cinco filhos de PN, e o q sempre ela dizia é q cesárea era para casos para salvar a vida da mãe ou do bb, e q ela sempre quis cesárea, mas sempre teve PN, por conta de nao ter indicação de cesárea. Em resumo na minha cabeça, cesárea era somente para casos de riscos, e Td correndo bem na gravidez seria PN! Bom, fui em tres GOB, ate achar a Dr. A. Foi amor a primeira vista, todos os outros medicos diziam q nao faziam PN, e qndo conheci a Dr. A. Perguntei sobre o PN, ela se mostrou bem a favor...
Os meses foram passando, e eu sonhando com o tal parto normal... Minha gob era um amor, sempre muito querida, me dava duas ou tres requisicoes de ecografia por mes para fazer e qndo levava pra ela, ela sempre dizia q Sofia seria um bb enorme... A unica coisa q nao falavamos era sob o parto, mas como isso para mim era o curso natural das coisas, nos nao tocamos mais no assunto...
36 semanas - Consulta com a GOB... E a sentença começava a ser dada... O bb esta muito alto, a GOB pediu uma eco e lá fui eu Td boba... Eu era doente pelas tals ecos... Bom, bb com 3.700kg...
Consulta de 37 semanas, bb alta ainda, motivo? Bb com cordão no pescoço e ela nao desceria... Pedi para repetir a eco, poderíamos ver se era mesmo pela circular q nao descia, mas segundo ela era muito nitido na eco q eu havia feito... E a indicação? Cesárea! Bom, fiquei com receio, então disse para a GOB q ok, mas preferia entrar em TP para fazer a cesárea, era uma desculpa para ganhar tempo... A GOB, pegou a eco, olhou e disse ok, podemos esperar, só quero te dizer q a previsão é um bb de 4kg e vc nao vai consegui parir, outra coisa, se vc entrar em TP, sua filha pode morrer sufocada pelo cordão... Pronto a conversa terminou conosco (eu e meu marido) agendado a cesárea para dali uma semana! Chorei, chorei, chorei...
Meu marido disse q m apoiaria se eu quisesse esperar ate as 40s, foi a gota d'água, me senti a pessoa mais egoísta do mundo... Minha filha em risco e eu querendo parto? Naquele momento m conformei...
Chegamos ao hospital no domingo dia 03.10, eu com a mão na barriga dizia para Sofia, estoura a bolsa, estoura a bolsa... Claro q isso nao ia acontecer... Fui para a sala de preparação, sonda, raspagem dos pelos... E lá fomos nos para a sala de cirurgia... Me anestesiaram, me amarraram... E lá fiquei, o medo era tanto q comecei a m sentir mal, pressão baixou, eu nao conseguia respirar e ninguém m olhava! Estavam ocupados demais falando em política! Era um domingo de eleição, e minha gob, marcou a cesárea para as 8h da manha, pois ela ia votar depois... Qndo finalmente o pediatra m olhou, eu só consegui dzr q ia desmaiar... Bom vomitei, pressão baixou! E agilizaram a cirurgia, Meu marido entrou e ficou do meu lado mexendo no meu cabelo... A anestesista, empurrou minha barriga para baixo e dizia para a GOB - tem q nasce, tem q nascer! E no meio de Td isso... Nascia o sentido de Td! Sofia chegou ao mundo após 38s e 3d de gestação, com 49,5cm e 3.325kg! Sem circulares de cordão, menor q a eco feita a dias antes do parto... No dia e na hora agendada pela GOB!
Sai da sala de recuperação com dor, dor física pelo procedimento e dor psicologia, pq nada daquilo havia sido como eu sonhei! Nao era a chegada q gostaria e idealizei para Sofia!
A única coisa boa de Td isso era minha filha, q logo chegou para ficar cmg, só q eu estava grog ainda, cheia de dor e com muitaaa coceira... Mal conseguia segura-lá! Ela chorava, chorava! E eu? M odiava, por ter deixado isso acontecer!
As dores do pôs cirúrgico, se estenderam por 15/20 dias, andava curvada, Sofia chorava dia e noite... Td isso, só m remetia a uma vontade: chorar!
De Td isso, eu tinha uma certeza, q jurei assim q sai do centro cirúrgico! No próximo seria diferente!

2012... Dois anos da Sofia, tínhamos passado os últimos dois anos difíceis! Sofia teve crises convulsivas e na ultima delas em maio/2012, quase a perdemos! Qndo m perguntavam sobre outro filho, eu sempre dizia a mesma coisa: - primeiro tenho q esquecer os traumas com a Sofia!
Mas a verdade era q o amor pela Sofia era tão grande q eu nao tinha certeza de q podia, amar outra pessoa!

Out/12 aniver da Sofia, eu troquei meu emprego de cinco anos, por outro onde ganharia melhor... E Td se encaminhando...
Final de dez/12, ao sair de um restaurante senti uma vontade enorme de vomitar e logo depois comi uma barra de chocolate... Meus seios doíam e o sono era demais... Eu tinha certeza, estava gravida. Fizemos o Exame de sangue e duas horas depois um super positivo!
Meu mundo virou uma tempestade! Queria tanto um segundo filho, mas e a Sofia? Como dividir o amor q sentia por ela, com outro ser? Ia conseguir amar essa criança tanto qnto amava a Sofia? E meu trabalho? Como dar a noticia com pouco mais de dois meses de empresa?
Bom, inicio de jan/13 comuniquei na empresa, situação difícil... Eu sentia vergonha de estar gravida... E ao mesmo tempo m sentia feliz! Queria tanto um segundo filho, e ele(a) estava a caminho...

Passado o susto... Comecei a curtir essa chegada! Outro bb em casa, eu nem podia acreditar...

Mas e agora? Posso um parto normal pôs cesárea?! Teria que passar por outra cesárea? Eu não queria viver aquilo de novo, e como eu ia ficar depois de uma cesárea com dois filhos?! Ia ficar quanto tempo sem pegar minha filha mais velha no colo ?!
Meu marido, na primeira vez q falei sobre o parto, ja foi taxativo: - vc ja tem uma cesárea, vai ser cesárea de novo.
E aí inicia uma batalha... Bom, iniciei o pre Natal com a minha Dr. A a mesma do parto da Sofia, afinal ela era minha medica... Primeira consulta com ela, ela foi sincera, nao fazia mais partos pelo meu plano... Se eu quisesse teria q pagar... Bom, o valor era inviável... E aí comecei a procura... Claro que isso foi ótimo, pois com certeza com ela seria outra cesárea...
Foram cinco GOB, uma delas me disse que PN pôs cesárea, era tentativa de suicídio... E que PN era para quem morava no interior e não tinha condições de pagar uma cesárea... Bom, nao desanimei, tinha lido inúmeros artigos sobre VBAC - parto normal pôs cesárea, e sabia q aquilo era papo de cesarista! Depois de muita procura achei a Dr. M nao era aquela GOB pela qual rola amor a primeira vista, mas quando começamos a falar sobre parto, ela se mostrou super a favor de PN e colocou os riscos de um PN pôs cesárea como sendo baixíssimos e sem problema algum pra ela... Bom, estava encerrada a procura. Mesmo com pe atras, resolvi ficar com ela, Marido adorou ela e ela me parecia uma ótima medica. Para ter confiança nela, passei a fazer inúmeros questionamentos a ela e parecia cena de filme, as respostas era sempre o que eu queria ouvir.
Meu marido achava Td aquilo loucura... Pq alguém gostaria de sentir dor? (Como se a cesárea fosse indolor) Eu ja tinha uma cesárea pq nao fazer outra? Bom, e quando falei pra ele sobre Doula? Isso só podia ser loucura! Eu devia estar louca... Enquanto ele se mostrava contrario, eu lia... Lia muitooo, lia relatos, lia artigos... Passava todo meu tempo livre lendo sobre parto... Comecei a entender o que deu de errado no parto da Sofia, o problema era que no parto dela eu queria um pn, mas nunca busquei informacoes sobre o parto normal, ou seja, qualquer coisa que a gob me falasse eu podia ate ficar em duvida, mas nunca teria argumentos para rebate-los... nao basta se querer um pn, tem que lutar contra todo um sistema de cesáreas previamente agendada...
Foi então que descobri o grupo parto nosso, esse sim foi amor a primeira vista... Dividir Td aquilo com outras mulheres que estavam passando ou que iriam passar por aquilo era bom demais... Ninguém ia me achar uma louca e se elaS me achasse louca era pq eu realmente estava kkk...
Meu marido foi se convencendo... Mesmo sem entender o pq, respeitou minha decisão... Helena (era mais uma menininha) chegaria nesse mundo da forma mais natural possível.
Com 30 semanas comecei a sentir contracoes de BH. Nada dolorido, era desconfortável. E cada dia sentia mais... Foi assim, ate que com 33 semanas a GOB resolveu me dar um atestado para eu descansar... Na minha cabeça, aquelas contracoes estavam anunciando que o parto estava perto e que logo Helena chegaria...
Minha GOB fazia exame de toque desde a primeira consulta, e sempre a mesma coisa colo posterior, fechado e grosso.
Sonhava com esse parto, desde que a Sofia nasceu e agora ele iria acontece!
Definitivamente ir para uma sala passar por um procedimento extremamente invasivo nao era pra mim... Ja tinha passado por isso e sabia q era o que eu menos queria...
Obvio, que mil coisas passavam pela minha cabeça, sera que iria agüentar a dor? Eu teria condições de passar por um PN? As pessoas diziam que eu era louca, que eu nao agüentaria, que na primeira contração ia pedir arrego e tal... E claro eu morria de medo de "pedir arrego", mas eu tinha que me dar a chance de pelo menos tentar...
O q eu mais pensa a era q eu tive muita dor da cesárea, sera q eu agüentaria um PN? Bom, mas isso nao era motivo para mim desistir... Meu bb viria na hora dela, e nao seria arrancada de dentro de mim...
33,34 semanas... E eu com cha de fralda marcado para as 36 semanas, achava que talvez nem estaria no cha com barriga kkk...
Bom, na consulta de 36 semanas, bb alto, colo posterior, grosso e fechado... GOB comentou que parto bom era quando bb encaixava com 36 semanas... Eu senti um frio na barriga, pois foi assim que aconteceu minha cesárea, mas a gob disse que Td bem, ainda havia tempo de encaixar...
Eu estava fazendo yoga, então começamos a intensificar os exercícios voltados para q a Helena encaixasse.
Um dia antes do chá de fralda, morri caminhando... Achava q depois do chá certamente Helena chegaria...
Que nada... Helena continuava lá, e minha barriga super alta e enorme...
37 semanas, exame de toque... Bb alto, colo grosso e Td mais, meu corpo nao tinha indicio nenhum de parto... Ok, aínda faltava tres semanas para a DPP...

38 semanas, exame de toque e Td na mesma... Minha GOB, disse que essa semana ela tinha q começar a descer...
Morri caminhando, fiz yoga, me agachava, rebolava... Agora, com certeza ia acontecer alguma coisa... Tbm comecei a tomar chá de canela e gengibre...

39 semanas... Exame de toque e nada! Meu Deus, como assim nada?! Ok, ainda tínhamos ate 42s, ou não! Minha GOB, disse q algo tinha q acontecer nessa próxima semana... Ou seria cesarea, pois do jeito q as coisas estavam nao tinha pq ficar esperando...
aquilo comecou a destruir minha fe, mas eu ainda acreditava q algo iria acontecer...
Vim pra casa, fiz yoga, caminhei, tomava dois banhos por dia, rebolava, agachava, limpei a casa... E nada!! Eu nao sentia nada! Todo o dia eu acordava e corria pro espelho para ver se a barriga tinha baixado, tbm estava na busca obsessiva do tal tampão, serio o negocio era tanto q cheguei a ficar um pouco assada kkk...
Eu lia relatos, e pensava: fulana pariu com 39s e 3d, então pode ser q eu vá parir com 39s e 3d tbm... Não entendia, q cada um tem a sua história, o seu parto...

Consulta de 40 semanas, GOB me examinou e nada! Bb alto, colo grosso, posterior e fechado... Minha medica, disse que se ate agora nao havia acontecido nada, é pq dificilmente eu entraria em TP, e que agora seria muito difícil o bb encaixar... E que o procedimento era marcar a cesárea... Eu argumentei, disse que eu queria esperar até as 42s, ela disse que não era muito arriscado... Discutimos muito e no fim, não teve jeito, ela marcou a cesárea para dia 16/08... Uma sexta feira, eu estaria com 41s e 1d, foi a consulta mais difícil pra mim, meu marido nao estava comigo, quem estava era minha sogra... Tentei convencer a GOB para então marcamos a cesárea para dia 19.08, qualquer hora a mais para mim fazia diferença, mas ela tocou terror, disse que nao ia fazer diferença alguma esperar e que eu tinha filha pequena e mais uma a caminho e nao tinha porque colocar a vida da Helena em risco ou correr o risco da Sofia ficar sem mãe...
Bom, sai da consulta com aquilo, tinha 8 dias para entrar em TP... Ou dia 16.08 as 18h minha filha nasceria...
Aqui mergulhei em um tsunami, tinha que entrar em TP, mas como? Como obrigar meu corpo a entrar em TP sem estar pronto?!
Chorei, chorei muitoooo...
Mandei email para a lista do parto nosso, as meninas responderam e a única coisa que eu sentia era que eu era uma covarde, que fiquei 9 meses com uma GOB, que eu suspeitava que faria isso...
Tomei um banho naquela noite e chorei muito! Pedi desculpas para Helena, disse pra ela que eu tinha tentado, mas q nao deu...
Por mais que eu tentasse aceitar aquela cesárea, eu não conseguia, e aí eu me sentia pior ainda, pois como eu podia me sentir tão triste, se de uma forma ou de outra, ia ser o nascimento da minha filha...
Além de uma cesárea agendada, eu estava em uma gravidez pôs DPP, quem se prepara para passar das 40s?
Eu não estava preparada, achava q Helena ia nascer bem antes da DPP... Mas,não... Eu estava de 40s, nem sinal da gestação acabar...
Bom, chorar nao adiantava... Quanto mais chorava, mais rápido corria as horas...
Na sexta feira, acordei e tomei um banho... E depois do banho, saiu uma meleca tipo catarro, nao era muito, mas na minha cabeça era o tampão, aquilo me dei uma luz, achei que todo aquele desespero talvez nem fizesse sentido... Afinal isso era um sinal... Mandei um SMS, para a GOB, que só me respondeu dizendo que estava em um PN.
Ela havia me dito em uma consulta que após o tampão sair, eu deveria entrar em TP em 24h...
Resolvi ir ao hospital fazer o exame de monitoramento do coração da Helena...
Cheguei lá, e logo que entrei no centro obstétrico, vi que o parto que minha GOB estava tinha sido normal... Bom, talvez eu estivesse fazendo tempestade em copo d'água mesmo...
A GOB do plantão veio, me perguntou sobre o pq do exame, eu expliquei que era pq havia passado da DPP, e ela me questionou se eu estava esperando PN, eu disse que sim, ela então disse que faria exame de toque, eu deixei afinal eu achava que tinha perdido o tampão pela manha, ela fez e disse - esse bb não nasce de parto, esta alto e nao encaixa mais...
Meu mundo desabou pela segunda vez em pouco mais de 24h, o pior era que ela ia ligar para a minha GOB e dizer aquilo, e a minha GOB ia confirmar, o que ja havia me dito...
Fui pra casa arrasada... Cheguei em casa e fui pro chuveiro, chorei, chorei...
Se eu nao tinha forcas para encarar eu mesma no espelho, muito menos para encarar as meninas do grupo, eu lia os emails, e ficava com mais raiva de mim mesma... Varias me indicaram doulas, mas pra que eu ia querer uma Doula para me acompanhar em uma cesárea? Ia movimentar uma pessoa que tem todas as técnicas para um PN, para simplesmente m acompanhar em um procedimento cirúrgico? Obrigado, mas eu nao queria. Nao me sentia a vontade.
alias, por falar em Doula... Eu acabei nao tendo uma, a questão financeira pesou muito, tínhamos inúmeras contas e Td mais, infelizmente nao tinha como arcar com uma Doula, e além do mais minha GOB nao aceitava doulas, então mão tive argumentos suficientes com o marido, para ter uma...
Desde o inicio eu tinha um conceito sobre Doula, ter uma, era encontrar alguém que acima de td te escolhesse...
Uma das meninas da lista, mandou meu email para o Dr R. É simplesmente o GOB referencia em humanização de parto... E consegui uma consulta com ele na segunda feira, na semana da minha cesárea... Meu marido depois de muita luta, aceitou ir comigo... Eu nao tinha condições de pagar um parto com o Dr R., mas eu precisava de uma segunda opinião, a verdade é que eu estava de 40s e 4d, nao sentia nada e a única coisa que eu pensava era que talvez a Dr M., estivesse certa mesma, talvez eu nao dilatasse, talvez eu nao entrasse em TP... Talvez eu fizesse parte daqueles 1% da população que tem algum problema... Eu me sentia péssima. Pq eu???!!
Dr R., foi sincero, disse q podíamos levar a gestação ate as 42s, que sim eu ia entrar em TP, mas quando fosse a hora... Td que eu ja sabia, mas ouvir de um medico, foi outra coisa... Fiquei mais segura, porém durante a consulta chorei, chorei... E o Dr comentou sobre o qnto o psicológico influencia e tal, mas q claro uma hora eu estando bem ou nao psicologicamente o bb ia ter q nascer... Bom, sai mais segura da consulta... Combinei com o meu marido, q iríamos conversar com a Dr. M, e se ela nao aceitasse esperar ate as 42s, então pelo menos a cesárea aconteceria no dia 19.08...
Eu estava mais segura, mas ao mesmo tempo, mil coisas passavam na minha cabeça, e se eu nao entrasse em TP? E se acontecesse algo com a minha filha? E porque sendo o nascimento da minha filha, eu so conseguia pensar em nao ir para aquela cesárea?!
Bom, por mim estava Td mais tranquilo, íamos conversar com a GOB e Td ia se resolver...
Na Terça, meu marido saiu para trabalhar... E perto do 12h me ligou, querendo almoçar comigo e tal... Ok, achei legal da parte dele... Saímos para almoçar, e papo vem, papo vai... Ele me diz q tinha ido pela manha conversar com a minha GOB... E q eu não ia entrar em TP, q era um risco continuar com a gestação... Falou muita coisa! Bom, ela conseguiu colocar medo no Meu marido, duvidas e Td que eu levei uma gestação inteira para mudar, ela plantou na cabeça dele... Eu nao conseguia pensar em nada, so chorava! Ali me sentia traída, com raiva... E sinceramente? Começava a aceitar a tal da cesárea!
Brigamos, vim para casa e chorei, chorei muito!!! entrei no face... E tinha uma promoção para a pre estréia do filme renascimento do parto... Resolvi participar, e nao é q eu ganhei?! Para mim aquilo era um sinal, nem Td estava perdido!
Nesses últimos dias eu rezava muito, pedia pra Deus me ajudar e coloquei nas mãos dele...
O filme foi ótimo, mas para mim, me fez refletir sobre td aquilo que havia acontecido no parto da Sofia e o que eu nao queria que a Helena passasse por Td aquilo tbm! Me fez ter a certeza de que eu não queria aquela cesárea...
Conversei com meu marido na volta, e conseguimos manter um dialogo... Coisa q havia dias q nao conseguíamos... Aceitei a cesárea! Isso mesmo! Aceitei! Mas com a condição de que acontecesse no dia 19.08!
Ele concordou, íamos conversar com a GO no dia 14.08, e propor para ela a alteração da data da cesárea! No dia da consulta, fomos fazer mais um cardiotoco, eu estava com 40s e 6d.
Minha GOB foi irredutível, voltou a afirmar que eu nao ia entrar em TP... Disse q ia fazer o exame de toque e caso houve 1cm de dilatacao, ela tentaria o descolamento de membrana... Segundo ela, pelo menos para mim entrar em TP, pq minha filha nao ia nascer de PN... Eu estava com 1/2 cm de dilatacao, bb alto... Ela tentou, o toque foi extremamente dolorido... Final da consulta a GOB, foi clara em 24h eu teria q entrar em TP... Ou cesárea no dia 16.08...
Fui pra casa, uma pilha... Meu prazo estava se esgotando e nada!!
No meio de Td isso, conheci um anjo, q entrou na minha vida, extremamente contra a minha vontade, sim, eu simplesmente nao queria... Mas, anjos são assim, se chegam de mansinho e quando agente percebe, levaram nosso coração... A Kika, conheceu minha história através da Débora, uma das minhas companheiras da lista parto nosso... A Kika é Doula, a Débora tinha me enviado um email com todos os contatos da Kika, mas como escrevi acima, eu nao queria uma Doula... Débora me mandou uns tres emails, e eu nada... Ate q a Kika me add no face, aceitei... E ela começou a puxar assunto no bate papo... Nos primeiros contatos, a conversa foi pouco... Ate q comecei a me soltar, Kika m ligou... Passamos a conversar tanto no face como no telefone e por SMS... E combinamos dela vim aqui em casa... Dia 15.08 um dia antes da cesárea, Kika veio aqui em casa, foi uma tarde super gostosa, conversamos, caminhamos, fizemos cha de canela, ela trouxe a bola Suíça e eu rebolei muito kkk...
Ela me fez ver, o quão importante era aquele parto... Nao que eu nao soubesse, mas no turbilhão dos últimos dias, estava fazendo eu me afastar do foco...
Algumas coisas q ela disse, m fizeram ter mais certeza de q eu não iria para aquela cesárea! Uma das coisas, foi qndo eu disse q se esse ia ser cesárea, no próximo parto ia ser em casa com parteira, aí ela me disse: Munique, um parto, não muda os outros... E aquilo ficou...
O acordo meu e do meu marido era o seguinte: se caso a GOB nao quisesse fazer a cesárea no dia 19.08, nos iríamos trocar de GOB!
Bom, kika foi embora, e eu com a certeza... Aquela cesárea nao aconteceria...
A noite, rezei e pedi a Deus q se nao fosse para aquela cesárea acontecer, q ele me desse um sinal...
Perto da 0h, fui a banheiro e o tampão! Meu Deus! Chorei, tirei foto, mandei a foto para a Kika, e ali estava Td muito claro, a cesárea nao aconteceria...

A acordei dia 16.08, perto das 10h liguei para a minha GOB, disse que eu nao ia na cesárea, que minha filha ia nascer de PN, que eu ja estava perdendo o tampão.. Ela disse: - Munique, tua filha nao vai nascer de PN, e se vc desmarcar a cesárea, pode procurar outra GOB... E respondi ok, obrigado por Td, mas eu vou atras de outra GOB...
Desliguei e pensei: seja o que Deus quiser!
Avisei meu marido, que pirou na hora, mas tínhamos um acordo e pronto!
Entrei no grupo de apoio ao PN, aqui de POA e pedi ajuda... E uma das gurias do grupo era secretaria da Dr. Ana Cláudia Codesso... Me passou o cel dela...
Liguei para a Dr. E para minha alegria me aceitou! Conversamos muitoo! Por tel, ela me orientou ir ao hospital fazer alguns exames...
Meu marido, só me dizia uma coisa: Helena vai nascer na segunda! Bom, me livrei da gob, mas não das cobranças do meu marido...
Sexta dia 16.08 e eu no hospital fazendo exame, durante a ecografia a medica não conseguiu visualizar os movimentos do pulmão, mas nos tranqüilizou... Saímos de lá, e o combinado era que no findi iríamos ver a Dra Ana Claudia.
Findi passou e não conseguimos conversar com a Dra.
Na segunda dia 19.08, liguei para a Dra, combinamos de nos encontrar no Hospital Divina Providencia, chegamos lá por volta das 11h da manha, conversei com a Dra, ela me examinou e eu estava com 2,5cmde dilatação... Ela disse que como eu já estava bem próximo das 42s, ia forçar um pouco mais o colo, e fez... Eu não senti absolutamente nada!!! Dra disse q eu ia começar a sentir cólicas logo em seguida e me orientou caminhar...
Comecei a caminhar em volta da maca, uma hora depois e eu não sentia nada!! Meu Deus, eu só pensava na Dra M, dizendo que eu não teria minha filha de Pn...
Dra veio me ver ali pelo 13:30h, me perguntou das cólicas e eu disse q não sentia nada... O bom, é q de certa forma ela a acalmou meu marido, explicou q uma gestação iria tranqüilamente até as 42s, e que caso nada acontecesse poderíamos induzir...
Ficamos o dia no hospital, no final da tarde fomos fazer uma eco, a medica um amor, disse que Helena estava muito bem, aí eu comentei que não o ficar internada e ela me olhou e disse -Sou muito a favor do pn, mas pode até o ponto q seja seguro. Eu estava com 41s e 4d... A medica terminou a eco, nos desejou sorte e pronto.
Quando voltamos para o CO, a enfermeira chefe disse q a medica da ecografia colocou que eu estava de 41s e 5d e que não viu movimentos da Helena!
Eu estava na ecografia, eu vi minha filha se mexe!
A enfermeira ligou para a Dra Ana, que nos liberou... Na saída do hospital meu marido, já disse: - pode marcar consulta para amanha, pq vamos marcar a cesárea!
Liguei para a Gob, eu disse q eu queria conversar com ela no outro dia, ela me perguntou se eu sentia algo e eu expliquei q não sentia nada... Aí ela disse: vamos esperar essa noite, e amanha vc me liga e conversamos...
Bom chegamos em casa por volta das 20h, vim o caminho inteiro com cólicas doloridas, cheguei em casa e fui pro chuveiro... Sai de lá, e as dores pararam... Desanimei, desanimei legal!
Fui deitar, por volta das 23h... Estava tão ansiosa, q não conseguia dormir...
1h da manha, senti a primeira contração, e doeu... Doeu muito... Comecei a rir, sim! Foi a melhor dor do mundo! Eu esperava a tanto tempo por aquilo!! Voltei a dormir, 1:35, veio outra contração... Levantei, e as contrações começaram a vim, em intervalos regulares, comecei a anotar:.. Elas, vinham de 4/4 mim... Mas, eu só conseguia pensar que aquilo não era tp!
Entrei no face, e comecei a conversar com a Camila, e ela dizia: - liga, pra Kika... Só q eu não conseguia acreditar q havia chegado o momento...
Cada contração que vinha, eu caminhava... E a dor sumia! Eu esperava a tal dor da morte, aquela q agente não agüenta e nada, as dores que eu tinha eram super suportáveis... E eu estava adorando aquilo!!
Fui pro chuveiro, fiquei 40mim, coloquei a música "Anunciação"... Sai do chuveiro era 4:30h da manha, as dores já estavam de 2/2 mim... 5h chamei meu marido... Ele levantou correndo kkk, eu expliquei q estava com dores desde 1h da manha, e que ele mantesse a calma, que aquilo podia durar dias... Liguei para a Kika, mas não quis insistir, na minha cabeça eu ia ligar pra ela, pela manha... Bom, liguei para a Dra Ana, e disse q estava com dores, e q estava indo para o hospital... Ela disse q estava com o filho pq e ia demorar, eu disse q ok, pois estava td bem...
Fomos para o hospital, o caminho foi... Dolorido! Cada, buraco no asfalto doía!
Cheguei no hospital as 6h... As contrações vinham 1/1 mim, eu respirava fundo, e ela passava... Entramos na emergência, meu marido explicou que eu estava em tp, entramos e antes de chegar no elevador minha bolsa rompeu, aí sim eu comecei a acreditar que fosse tp,subi para o CO, meu marido não entrou comigo, disseram que eu entraria primeiro para avaliação... Nessa altura, eu urrava em cada contrações, depois q a bolsa rompeu, ela vinham com maior intensidade... Entrei na sala de avaliação, e logo apareceu a primeira téc. De enfermagem, pediu para medir minha temperatura e pressão, eu concordei mas pedi que ela fosse rápida, as contrações qndo vc esta deitada, doem mil vezes mais... Ela só me respondeu: quer ter pn? É isso mesmo, dói mesmo. Bom, desci da cama, e a téc. De enfermagem saiu do quarto e logo entrou outra, disse pra mim tirar a roupa (eu estava com um top preto mega apertado, coloquei só para ficar bonita nas filmagens kkkk), logo ela viu que havia sangue no meio das minhas pernas, disse pra mim parar de caminhar ou eu ia acabar matando meu bb! Desconsiderei... 6:15h minha gob chegou, com aquele semblante calmo dela, e eu a louca kkk... Entre a partolandia e a realidade...
Fomos para a sala onde o parto aconteceria, minha gob entrou má frente, ligou o chuveiro, diminuiu as luzes, ligou a cromoterapia, e me pediu q deitasse na maca para o toque, ficar deitada pra mim era insuportável, doía muito... Em pé, a dor era mais tranqüila, vinha a contração eu caminhava e respirava fundo, e claro nessa alterado campeonato urrava, fui pra maca e disse pra Dra,: se eu estiver com 4cm de dilatação, pode chamar o anestesista.
Ela foi extremamente rápida, fez o toque eu levantei e ela disse: 9cm... Vc não precisa de anestesista, chegou até aqui sozinha...
Entrei em baixo do chuveiro, e claro desisti da história de anestesia... Na verdade, isso tem muito do psicológico... Enfim, aqui em já estava super na partolandia, não lembro de td... Fiquei um tempo no chuveiro, e aí as contrações cessaram, vieram os puxos, qndo digo puxos, eram puxos mesmo, teu corpo faz uma força tremenda, e vc simplesmente não tem como controlar, nessa hora Ru estava mais q entregue, pensava em como td aquilo era magico, como era bom... O ruim era a fome e o cansaço, tinha ficado muitas horas sem dormir, e não consegui comer por conta da ansiedade...
Sai do chuveiro, e fiquei na porta do banheiro, minha gob havia forrado todo o chão do quarto com lençóis... Fiquei por um tempo fazendo forca ali, depois me acomodei de quatro no chão, me agarrei na cama e fui fazendo força, nesse meio tempo a Kika chegou, qndo vi ela, eu queria fizer um monte de coisas, mas naquele momento era somente eu e o parto, era o momento das coisas acontecerem, ali uma vida estava chegando, meu marido observava td em pé, perguntava algumas coisas a gob, ela respondia, mas eu não entendia nada, eu não estava ali... Kika, se ajoelhou e ficou do meu lado, éramos nos 4, meu marido, Dra Ana, meu marido e eu, e logo seriamos 5, Helena estava vindo... Eu estava exausta, recusei qualquer tipo de toque em mim, massagem, me abracei em um travesseiro e ali fiquei, me virei de barriga pra cima e a Dra Ana avisou, vai demorar mito mais assim, mas o cansaço que eu sentia era enorme,com muito custo voltei para a posição de cócoras, pedia a Deus q me ajudasse, pois Ele havia me ajudado até aqui e agora eu precisava de forças, entre um puxo e outro, eu dizia q não ia conseguir, Dra Ana e a Kika, diziam palavras de incentivo e derrepente, senti Helena vindo, fiz força uma, duas, três e ela chegou, aquilo era magico! Helena chegava ao mundo as 41s e 5d de gestação, em um tp de pouco mais de 7h, sem intervenção alguma, pesando 4.340kg e 53cm... Era linda, cabeluda, grande... Linda e minha!
Ela nasceu com uma circular de pescoço e um pouco cansada ate em função do tamanho... não chorou no primeiro minuto, a pediatra nem se moveu para ir até o quarto, ocupada demais com as cesáreas, Dra Ana, cortou o cordão e a enfermeira levou ela... Apgr 6/9... Infelizmente, um parto natural em hospital sem humanização, não impede q teu filho passe por intervenções e Helena passou por elas... Bom, eu exausta, fui erguida pela Kika para a cama, estava em êxtase, queria sair correndo gritando que eu havia parido, e que era muito bom!! Deitei na maca, e chegou a Helena de volta, não quis mamar, estava dormindo... Voltou para o colo do pai...
Uma cólica e veio a placenta, aqui entra uma parte engraçada, pra mim, as dores foram extremamente suportáveis e em alguns momentos foram dores boas, aí tive uma laceração e a medica disse q ia me dar pontos... Pedi pra ela ter calma kkk, segurei a mão da Kika e a Dra começou a anestesia local e os pontos, isso sim doeu kkk, mais q o parto kkk... A dor do parto, depende de como vc se preparou para aquilo, como vc vai vivênciar aquele momento... A dor do parto, é uma dor da alma, como sua alma esta naquele momento...
A minha desejava por aquela dor, e por isso td foi tao gostoso!

Bom, agora os agradecimentos, primeiro ao meu marido, esse parto tirou dele inúmeras convicções, fez ele ir contra muitas coisas q ele acreditava, me respeitou e peitou o medo, q do esse parecia ser maior q ele... Segundo a lista parto nosso, sem essas mulheres guerreiras, sem a força delas, talvez isso td jamais teria acontecido, a minha Doula Kika, um anjo que fez toda a diferença! Me apoiou, me deu forcas, me incentivou...
Agora a Dra M, sim, por mais q ela não acreditasse em mim, ela foi sincera, uma frase dela na nossa ultima consulta ficou "Munique, eu não posso fazer algo que eu não acredito, por que eu sem duvida faria mal feito"... Essa frase, me ajudou a ver o quanto eu queria aquele parto... E o quanto eu acreditava q era possível... Agora a minha Dra Ana, um doce desde a primeira vez q conversamos, calma, querida, mas acima de td uma medica exemplar...
Também tenho que agradecer as meninas do GAPP - Nascer sorrindo de POA... Foram uns anjos!!!
Todos vcs meu muito obrigado!!! Que Deus ilumine vcs, sempre!!!

As mulheres que querem parir... Acreditem em vocês! Nossos corpos, foram feitos para parir!! Não deixem que nada, desmotive vcs, que nada deixe vcs perderem a fé em vcs... Acreditem!!! Parir é a melhor sensação do mundo! 
 
Sobre a dor, sinceramente? Doeu mais levar pontos, do que as 7h de tp kkk... Esqueçam isso, não passem uma gestação inteira pensando nisso. Dói? Sim, mas totalmente suportável...

Um beijo,

Munique Pompeo - 1 mês e 23 dias de parida! 

Kika Doula: Olha, quando eu conheci a Munique pessoalmente, ela tinha uma cesariana agendada para o outro dia, as 14h. Não foi fácil entrar em contato com uma doulanda assim, tão em cima de tudo, com quase tudo decidido pela intervenção. A Munique queria muito esse VBAC...ela apenas tinha esquecido o quanto isso era importante. Não por ela, pela filha.
Munique, querida, foi lindo estar ao teu lado e acompanhar essa reviravolta as 41 semanas de gestação. Tu és uma guerreira. 




segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Quanto vale um nascimento???

Eu já tinha pensado em falar sobre isso por aqui milhões de vezes. 
Mas sabe aquele desejo que temos de não ferir, de agradar a todos? Pois é...
Eu começava, escrevia algumas linhas, mas acabava deletando.
Só que aí aconteceu uma coisa doida dentro de mim.
Eu percebi que (ohhh!) não tem como agradar a todos o tempo todo. E o melhor caminho acaba sendo o mais óbvio: ser quem agente é, e ter o mínimo de coerência entre o que se pensa, o que se fala e como se age.
Então lá vai.
Esses dias eu acompanhei um parto incrível(logo vem as fotos e o relato).
Essa família quase desistiu. Não por não ter vontade. Não por não ter informação. Não por não ter embasamento...POR NÃO TER DINHEIRO SUFICIENTE!
E ao acompanhar a história dessa família, comecei a refletir sobre a ironia desse mundo da humanização.
Os princípios básicos da humanização do nascimento todo mundo que circula por aqui conhece. O mínimo de intervenções para a mãe e para o bebê,  resgate do protagonismo de ambos no parto, respeito às escolhas da família, posições confortáveis para a mãe parir, enfim...intimidade e respeito.
Levanta-se a bandeira de que todas as mulheres merecem um parto digno, de que todos os bebês merecem um nascimento bacana, de que todo mundo deve buscar isso tudo.
Ok.
Mas me fala uma coisa...quanto isso custa mesmo???
Pouco?Mais ou menos? Muito?

Mais uma pergunta...esse suporte é oferecido pelo SUS?

E outra...qual a parcela da população que pode pagar por isso?

Hã? Como assim? Mas não se espera que os profissionais ditos "humanizados" sejam mais sensibilizados a causas desse tipo?
Pois é.

Gente, deixa eu contar uma coisa.
Antes de ser doula, eu fui gestante, sabe...
E tem todo tipo de gestante. 
E para algumas, talvez por falta de informação, não faz a menor diferença a maneira que o seu filho virá ao mundo. 
Para outras, ainda, é preferível que se faça logo uma cesariana( seja pelo motivo que for, esse post não está aqui para julgar...pelo menos por enquanto).
Agora sentem aqui e deixem eu contar uma coisa: Vocês fazem ideia do tamanho da frustração de uma mãe que sabe dos benefícios do parto humanizado, quer um parto humanizado, acredita no parto humanizado e...NAO PODE PAGAR???
Como faz, produção?
Diz aí?
Me conta, querida doula, como é mesmo que você acredita na humanização para todos, se você cobra em um acompanhamento uma pequena fortuna?
Me conta aí, querido obstetra, como vamos humanizar o mundo, se o que o senhor cobra dá pra sustentar a criança até os 18 anos???

Sim, minha gente, todos temos contas a pagar. 
Mas assim...honestamente...não lhes parece incoerente que alguém pregue que todos devem ter acesso a um nascimento humanizado e beneficie somente a nata da população?
(daí eu penso...pq não cirurgia plástica? Dermatologia quem sabe? ai ai...)
 E aquela mãe que não pode pagar faz como?

 Se um profissional escolhe livremente, entre um milhão de profissões, uma profissão que luta contra o sistema, como é que esse mesmo profissional vai limitar o atendimento só a quem NÃO PRECISA DO SISTEMA PRA NADA???

Então fico  por aqui, tentando gerar o mínimo de reflexão.
E se fosse com você?
E se fosse o seu filho???
Pensem nisso...


Abraços,
Kika

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O parto do pai.

Nesse post quero falar para outro público.
Essa vai para os maridos, namorados, companheiros e afins.
Um recadinho sem rodeios:
 Parto natural não é capricho! Acreditem, não é!
Nenhuma mulher luta por um parto natural para poder contar para suas amigas que conseguiu!!!
Isso é a visão mais surreal do mundo!
E olha, se sua esposa está buscando um parto natural, me faz um favor, não diga a ela que isso é vaidade...Simplesmente não diga...
Além de você estar ignorando tudo relacionado a isso na MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS, estará minando a confiança de sua mulher no que ela possui de mais sagrado: seu próprio corpo.
Se sua mulher é uma pessoa consciente se suas responsabilidades maternas, ciente de seu corpo e de sua capacidade, sensível a ponto de buscar informações na hora de decidir que tipo de parto terá,...antes de chamá-la de hippie alternativa, antes de dizer que parto natural é coisa de índia, simplesmente APOIE, QUERIDO!!!
Antes de dar argumentos bobos, leia...informe-se, estude, discuta, busque argumentos relevantes.
Fazendo isso já é meio caminho andado, porque na metade da trajetória você já vai estar do lado dela.
Se mesmo assim você não for a favor, só porque você tem medo, não ataque.
Revele seu medo.
Desmembre-o até ele virar pó!
Alugue a obstetra(aquela que você acha estranha porque deixa a mulher ficar de quatro no chão da sala de parto para parir), pergunte tuuudo que vier na cabeça. Faça perguntas bobas...e as não bobas também!
Cerque-se de informação e amor...amoleça seu coração e esteja lá pela mulher que decidiu trazer O SEU FILHO ao mundo de forma respeitosa, digna, natural...
Não mine a confiança de alguém que está no momento mais vulnerável da sua vida e só precisa que você diga: ESTOU COM VOCÊ!
Isso também é amor...



domingo, 11 de agosto de 2013

Os bebês bem sentados e seus partos pélvicos...

Falar sobre partos pélvicos é sempre delicado, e as opiniões são as mais diversas, mesmo entre os obstetras humanizados.
Quando uma mãe está na busca por um parto natural, geralmente o fato de um bebê estar na posição pélvica é um baque.
Espera-se, tradicionalmente, que um bebê fique em posição cefálica entre 30-34...35 semanas. No movimento de humanização, aprendi que esses dados são equivocadas indicações de cesariana, considerando que o bebê pode virar-se até mesmo DURANTE O TRABALHO DE PARTO.
Sendo assim, não há motivos para preocupação precipitada...tudo pode acontecer.
O bebê pode, estando pélvico, apresentar das seguintes formas(mais comum):


Lembrando que o bebê pode ainda nascer podálico, onde nascem os pés antes do bumbum.

Existem  coisas que se pode fazer a respeito para ajudar o bebê a virar (dicas e imagens de Naoli Vinaver).
Movimentos como engatinhar(ficar de quatro) por alguns minutos(em torno de 20min), algumas vezes por dia, podem ajudar.



Outros movimentos são bem eficazes, respeitando a frequência indicada anteriormente, tais como:





Após cada exercício, é indicado que seja aplicada a técnica de rebozo para chacoalhar o quadril.

Outras técnicas que podem ser utilizadas:

-Moxabustão.


-Aplicação de compressas quentes no pé da barriga e frias no alto da barriga(acredita-se que o bebê irá virar buscando o calor).
-Aplicação de focos de luz no pé da barriga(mesmo motivo), ou de sons, como vozes conhecidas(papai pode ajudar no processo conversando com o bebê bem pertinho do baixo ventre).
-Busca por homeopatias como Pulsatilla.
-Acupuntura.

E se nada funcionar, ainda temos a opção de uma VCE (versão cefálica externa), onde o médico irá "virar" o bebê com as mãos). Orienta-se que antes desse procedimento, o médico verifique com ultra a posição exata do bebê. Alguns médicos usam também alguma medicação para diminuir a rigidez uterina e facilitar a virada.

Aqui um video mostrando como a VCE é feita:



Se nada disso funcionar, existe a opção de se realizar um parto pélvico.
Pouquíssimos profissionais ainda topam realizar esse tipo de parto, mas eles ainda não foram totalmente extintos...rsrsrs.
Para o parto pélvico(assim como para o parto cefálico, né?), a pior posição e a menos indicada é a de litotomia(deitada de barriga para cima). Quanto mais expandido for o canal da vagina, mais fácil é a saída do bebê(estando ele na posição que estiver). Dessa forma, a posição "agachada" é muito interessante...ou de quatro, ou qualquer posição que não leve o canal vaginal a ser limitado pelo fechamento dos ossos da bacia.





Todas essas dicas valem também para o parto podálico, que é quando os pezinhos do bebê nascem antes.
Aqui uma sequência de fotos bacanas de um parto podálico:


    

    

    

...

Encontrei também, no site da Casa Moara, um lindo relato de parto pélvico natural!
Vejam só:


Com naturalidade e sem intervenção, nasceu meu Pedro-Pélvico

Lucas, primeiro filho de Bianca, nasceu num parto natural muito rápido. Na segunda gravidez, uma surpresa: o bebê estava sentado! “Não era possível! Depois de um parto natural tão bacana eu não queria uma cesárea”, conta ela neste emocionante relato.
Por Bianca, mãe do Lucas e do Pedro
Quando o Lucas completou um ano, cortamos a pílula. Cresci sem irmãos por perto e não queria o mesmo para o meu filho. Ele já tinha a Bruna, mas 20 anos mais velha, está na categoria “irmãe”. Ela apoiava, o Sergio se animou e quatro meses depois eu estava grávida de novo. Fiz um teste de farmácia e deu negativo. Comprei o segundo, e também deu negativo. Fui ao laboratório colher sangue. Era sábado e o resultado só viria na segunda. Comprei o terceiro teste sob protestos do Sergio. Em vez de grávida, ele achava que eu estava louca. Mas… voilà… finalmente os dois tracinhos! Eu estava mais atrapalhada que o normal, mais engraçada que o normal, e quando virava rápido na cama sentia que minha barriga estava descolando. Só tinha me sentido assim quando esperava o Lucas. Era claro que eu estava grávida!
Em vez das reuniões de gestantes no Gama, das infinitas leituras de relatos de partos, do acompanhamento em tempo real da lista de discussão sobre gravidez e parto: o mestrado, os recursos educacionais abertos, o Lucas. Fiz um mês de ioga para gestantes e nunca mais consegui aparecer. Por mais de sete meses, só lembrava que estava grávida quando alguém me dava lugar pra sentar ou sorria na rua sem motivo aparente. Mas, na 28ª semana de gestação, o Pedrinho (que ainda era Gabriel) sentou e virou o centro da minha atenção.
“Ainda é cedo”, me disse a parteira querida que já estivera no parto do Lucas. “Ele vai virar!” Parte de mim confiava nisso, mas algo me dizia que não ia. Trinta e duas semanas e o danado sentado. Trinta e quatro semanas, contrações bem fraquinhas de 30 em 30 minutos, e o danado sentado. O Lucas já tinha nascido antes do tempo, com 36 semanas, e era bom tentar segurar o Pedro (que já era Pedro) um pouco mais. Fiquei em casa, deitada. Só saía para tentar ajudar o pequeno a virar: acupuntura, moxabustão, banho de ofurô.
Com 35 semanas e 6 dias, contrações fraquinhas de 20 em 20 minutos. Acordei vomitando – um dos sinais de trabalho de parto do Lucas – e fui ver a obstetra querida que também acompanhou o primeiro parto. Eu estava com 1 cm de dilatação e o Pedro continuava sentado. A médica tentaria uma manobra externa naquela semana, virando o nenê com suas mãozinhas por fora da barriga, mas quando ela encostava em mim vinha outra contração. O risco de estimular o trabalho de parto não compensava. O melhor era continuar deitada para que ele não fosse prematuro.
“A literatura médica recomenda cesárea em caso de nenê pélvico (que não está de cabeça pra baixo) e prematuro”, disse ela. “Mas se vocês quiserem, podemos tentar um parto normal. É seu segundo filho, o Lucas nasceu bem com 36 semanas…”. Na verdade, não sei bem se foi isso que ela disse. Mas com certeza foi algo parecido. A palavra cesárea me tirou os sentidos. Não era possível! Depois de um parto natural tão bacana eu não queria uma cesárea. “Mas não seria “desneCesárea”, seria uma cesárea necessária”, as amigas tentavam me animar. Eu sei que sim. Mas assim mesmo estremecia ao pensar nela. Foi aí que me dei conta de que minha opção pelo parto normal não era só militância, pelos abusos cometidos no Brasil. Mas um pavor da cirurgia. Eu suava frio de pensar em alguém cortando a minha barriga, nos pontos, em cuidar de um nenê num pós-operatório. Eu não queria uma cesárea de jeito nenhum! Desnecessária ou necessária, eu não queria passar por ela.
Foram dias muito difíceis. Encontrei pouca coisa para ler, não conseguia conversar com ninguém direito. Me sentia bastante sozinha naquela angústia toda. Desde que saímos do consultório da obstetra, meu marido era claro: a médica é que precisava saber como seria o parto, e se o melhor para o bebê fosse a cesárea deveria ser uma cesárea. Parte de mim concordava. Parte de mim queria sair correndo. E outra parte insistia que mesmo um nenê pélvico prematuro deveria nascer naturalmente.
Decidi escrever para a lista Materna. Adiara por vergonha. Eu tinha desaparecido por dois anos e ia chegar pedindo apoio… Escrevi! As respostas foram muitas e todas elas animadoras. Reli um email da parteira, das 32 semanas, que dizia que, se o nenê não virasse na acupuntura, minha obstetra o viraria no consultório. “É bem tranquilo, ela é boa disso!!! E se for o caso, parto pélvico normal, minha filha, você é boa disso!!!!”. Deu uma baita força. E lendo e relendo as respostas, decidi procurar em inglês. Será que encontraria algum texto, algo mais sólido? Encontrei “o” texto: “Hands off that breech!” O resumo, pelo menos na minha cabeça: “se o trabalho de parto do nenê pélvico evoluir bem, sem nenhuma intervenção, vai dar tudo certo. Se aparecer algum sinal negativo, é melhor não arriscar e cortar a barriga”. Pronto! Eu precisava de algo bem definidinho assim para a minha cabeça confusa. Fui dormir aliviada.
No dia seguinte, minha mãe apareceu em casa. Me convidou pra cortar o cabelo, numa tentativa de me animar. Fomos a um salão do do ladinho de casa, passamos o dia juntas e umas 20h ela foi pra casa dela, do outro lado da cidade. Eu sentia vontade de pedir para ela ficar, mas não tinha nenhuma razão concreta…
Coloquei o Lucas para dormir e estava na sala conversando com o Sergio quando decidi anotar o horário de uma contração. Ela continuava bem fraquinha, mas parecia estar mais frequente. 22h41. Anotei outra às 22h52. Percebi um pequeno sangramento, tomei um banho rápido e anotei outra às 23h02. Telefonei para a médica. “Estou em um parto aqui no hospital”, ela me disse. “Se achar que vai engrenar, vem para cá e avaliamos”. Decidi contar um pouco mais. E quando deu meia-noite, telefonei para a parteira, só para ela ficar ligada, vai que… “Querida, o parto do Lucas foi rápido. Se você teve sangramento e está com contração de 10 em 10 minutos, acho melhor ir para o hospital”. De fato, foram 4h30 de trabalho de parto ativo da primeira vez. Mas as contrações estavam tão fraquinhas… Não parecia sério. O Sergio me estimulou a aceitar o conselho. Telefonamos para Maria Lucia, irmã dele que mora no mesmo prédio que a gente, e ela desceu pra ficar com o Lucas, que dormia tranquilamente.
Entramos no carro e na esquina de casa eu queria voltar. “Tá vendo? Passou! Não tô sentindo contração nenhuma. A gente pode voltar.” A sensatez do Sergio insistiu que não custava nada ir até o hospital. Se fosse alarme falso era só voltar pra casa. Lembrei do pediatra. A experiência com o Lucas no hospital tinha sido ruim porque nosso pediatra não chegou. Não podia acontecer de novo! Liguei em todos os números e nada! Para completar, eu sabia que ninguém chegaria ao hospital se a coisa fosse mesmo pra valer. Minha mãe e a Bruna, que acompanharam o parto do Lucas, estavam muito longe. Seria rápido e elas não chegariam. O Sergio tem pavor de sangue, não assistiu o primeiro parto e já estava certo que não assistiria o segundo também. Eu pensava no pediatra do hospital tocando o terror, na cesárea, em estar sozinha durante o parto e entrei em pânico! A obstetra telefonou para saber se eu ia para o hospital. Atendi chorando e ela percebeu. Disse para eu ligar quando chegasse, que ela me encontraria na recepção.
Comecei a preencher a ficha entre uma contração e outra ela apareceu. Que abraço terapêutico! “Que bom, querida! Vai ser hoje”, ela disse naquele tom de fada. “Eu não consegui falar com o pediatra”, pude responder. “Quer que eu tente outro?” Eu queria muito, e ela conseguiu. Que alívio! Decidi telefonar pra Marcella, amiga-irmã que mora no Brooklin, pertinho do hospital, e ela foi me encontrar. Tinha pediatra, tinha a Marcella, tinha a obstetra, a parteira estava chegando. Tudo começava a ficar bem. A médica fez o toque e eu estava com 7 cm de dilatação. Tudo tão ameno, contrações tão levinhas… Nem dava pra acreditar. Chatices do hospital me prenderam por uns 20 minutos. A parteira chegou quando eu já estava na sala de pré-parto. A médica fez outro toque e já eram 10 cm. Nisso a bolsa estourou. Aí… minha nossa… palavras não vão dar conta… Um tsunami passava pelo meu corpo a cada contração. Doía muito! Eu sentia muita vontade de fazer força! Eu gritava muito! E oito contrações depois (segundo a parteira) ele estava nos meus braços. Rápido assim, fácil assim. Algumas dessas contrações foram no pré-parto, outras no corredor, as últimas na sala de parto prateada. Sei que muita coisa passou na minha cabeça naquele momento. Só me lembro, com extrema clareza, de ter pensado nos partos pélvicos que li em “A Tenda Vermelha” (livro muito bacana que a Lia me emprestou durante o repouso, pena que está esgotado).
A médica perguntou se eu queria ficar de cócoras. Pensei que não dava tempo porque ele já estava saindo, mas só consegui responder um ríspido “não”. Senti cada parte do corpinho do Pedro saindo de dentro de mim. Primeiro o bumbum, depois as perninhas, depois o resto do corpo. Tudo muito rápido. Tudo muito intenso. Eu sentia calor e a camisola do hospital incomodava, mas eu também sabia que tirar a camisola ia atrapalhar. De vez em quando via o rostinho assustado da Marcella. De vez em quando falava com a médica ou a parteira em monossílabos. E com muita força, com muita naturalidade, com muita rapidez, sem nenhuma intervenção, à 1h19, nasceu meu Pedro-Pélvico!
Ele nasceu quietinho e eu percebi alguma tensão no ar. Sabia que estava tudo bem com aquela coisinha pequena, cheirosa e molinha, mas disse que podiam tirar de perto de mim pra examinar se quisessem. Quando a pediatra pegou o pequeno, ele resmungou. Ela disse que nesse momento ficou tranquila porque sabia que estava tudo bem. Ela se moveu em direção a uma bancadinha de frente para a maca onde eu estava e eu sentei pra acompanhar. Alguém fez piada: “Como assim alguém acaba de parir e já se mexe desse jeito?” Eu estava ótima! Não tinha dor nenhuma, nenhum cansaço. Estava feliz e tranquila. Tirei a camisola porque não aguentava mais aquele treco me apertando e vi o Sergio fantasiado com a roupa de hospital e um olhão arregalado. Ele tinha decidido assistir o parto. Nunca vou ter a dimensão de tudo o que ele superou para tomar essa decisão. Deu uma olhada geral e me perguntou: “Nasceu? Foi normal?”. Respondi e apontei para onde estava o Pedro. Ele pegou o pequenininho e me devolveu. Que momento mais indescritível… Antes de meia hora de vida ele sugou com força, como tem feito até hoje. Aos cinquenta dias, Pedro engorda em média 45 gramas por dia, pendurado no peito da mamãe. E quando deita de barriga para cima abre cada perna pra um lado, não deixando dúvidas de que esteve sentadão na barriga!
(Fonte: http://casamoara.com.br/com-naturalidade-e-sem-intervencao-nasceu-meu-pedro-pelvico/)

E para terminar com chave de ouro, as palavras de Ana Cristina Duarte:

Mães, Médicos e Parto Pélvicos

26 de fevereiro de 2013 - 23:26
Por Ana Cristina Duarte
Olha, vou contar para vocês um pouco sobre partos pélvicos, o que conversei ontem com uma linda gestante cujo bebê resolveu ficar sentado até o final da gestação. Ela agora está na difícil tarefa de ter que escolher o que fazer.
Houve um tempo, até uns 50 anos atrás, que pélvico era um tipo de parto. Simples assim. Os médicos sabiam, as parteiras sabiam, e pronto. As nossas bisavós tiveram ou tinham uma irmã ou amiga que teve parto pélvico, sem maiores delongas.
Até que surgiu a cesárea, cada vez mais segura, cada vez mais comum. Nos cursos de medicina os médicos foram perdendo contato com o pélvico e na ausência do professor, operavam. Muitos cursos de medicina pararam de ensinar parto pélvico.
Em 2000 uma mulher do Canadá publicou um artigo enorme dizendo que o parto pélvico tinha mais risco para o bebê do que a cesárea. Esse artigo destruiu de vez as chances de um médico aprender a fazer parto pélvico e as mulheres de terem esse direito.
Cinco anos depois, já tinham saído mais dois artigos, um provando que o anterior foi tremendamente mal feito e não tinha o valor acadêmico que lhe foi atribuído e outro acompanhando essas mesmas crianças que nasceram no trabalho anterior e mostrando que a médio prazo a via de parto não fazia diferença para as crianças. Mas que a médio prazo continuava sendo pior para as mulheres a cesariana.
Agora já estão em andamento trabalhos nos EUA, Alemanha, Israel, França e Austrália mostrando que o parto pélvico é tão seguro quando a cesárea, respeitadas algumas condições (bebê de termo, com menos que 4kg).
Qual é a questão no Brasil? A questão principal é a do risco profissional. Para os que não sabem fazer parto pélvico, o cara tem pavor de acontecer alguma coisa. Para os que sabem, o problema é o risco jurídico. Diante da cultura da cesariana no Brasil, qualquer coisa que aconteça num parto pélvico, mesmo que seja alguma coisa nada a ver com o parto, algo que a criança já tinha, até um problema congênito, por exemplo, o médico vai ser acusado de ter causado aquele dano.
Às vezes não é nem o paciente que move processo, mas sim outros médicos. Num parto pélvico recente que acompanhei num hospital, o bebê nasceu e foi atendido por um pediatra da casa (não deu tempo de chamar um dos nosso). O pediatra enlouqueceu por terem deixado o bebê pélvico nascer de parto normal e disse pro médico e para os pais que tinham fraturado as duas pernas do bebê. O bebê não teve fratura alguma, raio X veio lindo, o médico não se conformou, mandou fazer de novo o raio X, que veio lindo novamente, e só assim ele parou de infernizar a pobre mãe e o pobre médico.
E tem muito médico por aí que acha um absurdo parto normal ou natural, quanto mais um parto pélvico. Que loucura, que perigo!
Até mesmo em partos normais a gente vê isso. Qualquer problema que o bebê tenha, se nasceu de parto normal, a culpa foi do parto. Paradoxalmente são os bebês nascidos de cesariana que têm mais problemas. Mas ninguém se preocupa com esses, nesse caso o bebê é que era doentinho. Mesmo que seja um pulmão molhado com 10 dias de UTI. Não são só médicos que estão tão mal-educados quanto à questão do nascimento. Toda a sociedade está! Muitos maridos, famílias, amigas, enchendo a cabeça das mulheres que terão ou que tiveram um parto pélvico normal.
Atender, dentro desse cenário, um parto pélvico, é um serviço para heróis. O risco que esses médicos e parteiras correm não é do parto. É o da sociedade em que vivemos.
É o papel de cada uma de nós aqui, como mães, profissionais e educadoras (toda mãe é uma educadora), mostrar para a sociedade, em palavras meigas e sutis, que as pessoas enlouqueceram! Que as pessoas não estão entendendo a questão do nascimento.
Ninguém pensa nos riscos que uma mulher corre a longo prazo após uma ou mais cesarianas. Ninguém quer saber das placentas acretas, prévias, rupturas, infertilidade. Ninguém cumprimenta uma mulher que teve um parto pélvico. As pessoas a chamam de louca!
E cabe a cada uma de nós ajudar a mudar esse cenário.
Deixo aqui meu abraço a cada mãe que teve a coragem de ter um parto pélvico e um abraço ainda mais forte em cada mãe que não conseguiu vencer essa gigantesca onda contrária, quase tsunâmica. E um abraço ainda mais forte e profunda solidariedade a quem quis tentar, mas teve seu direito negado.
Todos vocês são absolutamente dignas de toda a nossa admiração.
Um abraço longo e demorado a cada profissional de saúde que tem a coragem de permtir a uma mulher parir um bebê que resolveu vir com o bumbum primeiro.
Ana Cris

Artigo de 2000 que destruiu a arte do parto pélvico em todo o planeta (Valeu Hannah, amei, fofa):http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(00)02840-3/abstractArtigo feito 5 anos após criticando o de 2000 (valeu, pessoal!)http://www.ajog.org/article/S0002-9378(05)01362-1/abstract
Analisando as crianças 2 anos após o parto e mostrando que no final não havia diferença:http://europepmc.org/abstract/MED/15467555
Revisão sobre Versão Cefálica Externa (manobra para virar o bebê ainda dentro da barriga, possibilitando um parto cefálico)
Alguns vídeos que eu gosto sobre parto pélvico:
Por Ana Cristina Duarte – Obstetriz em São Paulo

Espero ter ajudado...
Beijo grande,
Kika Doula


sexta-feira, 19 de julho de 2013

Mulheres empoderadas


Até eu entrar nesse universo paralelo da humanização do nascimento, não tinha muita ideia do real significado da palavra EMPODERAMENTO.

Não sabia decifrar, não sabia usar, era rara em minhas frases.

Foi então que engravidei pela segunda vez . Comecei a buscar...veio uma sede inesgotável em mim. Sede por informações, por círculos de bate-papo, por trocas de experiências, por relatos de parto, vídeos, tudo que tivesse alcance. Busquei isso loucamente.

Nasceu José.

Cinco meses depois, lá estava eu grávida novamente.

Mais busca. Mais sede. Sede alucinada. Incansável.

Veio o convite da minha doula linda(Fabi Panassol) para o curso de capacitação de doulas.

Desse dia em diante, meu mundo se abriu. Era um caminho sem volta, eu sentia.

Comecei a ter contato próximo então, com o tal empoderamento.

Com mulheres empoderadas.

Sabe o que são mulheres empoderadas? Eu conto.

São mulheres que buscam, engolem, bebem informações.

São mulheres que querem seus partos. Buscam o resgate ao protagonismo desse momento(o mais importante de suas vidas). São mulheres que simplesmente não aceitam não como resposta. Testam seus limites físicos e psicológicos em nome do respeito ao nascimento. Elas não permitem que seus filhos sejam “nascidos”...eles nascem. Na sua hora, no lugar escolhido por ELAS, do jeito DELAS.

Cesarianas eletivas? Não.

Desculpas esfarrapadas de obstetras cesaristas? Também não.

Corte precoce do cordão umbilical? Episiotomia? Fórceps? Litotomia? Com elas não, obrigada.

São hippies malucas que querem parir como índias? 

Podem julgar, elas não ligam...

São mulheres DONAS DE SEUS PARTOS, DE SEUS CORPOS E MÃES CONSCIENTES, desde o minuto em que sabem-se mães.

Então, como se o mundo obstétrico convencional já não fosse uma barreira sistêmica de bom tamanho, eis que se deparam com uma barreira tão grande quanto(ou ainda maior): dificuldades financeiras.

Pensa que elas se acovardam? Desistem? Correm para o médico do cesarista do convênio?

Faça-me rir.

Elas continuam.

Meses atrás, quando eu ainda estava recém-parida (rs), postei no facebook o relato do meu último parto.

Para minha surpresa, veio falar comigo uma gestante de segunda viagem, a Débora Ribarski.

Ela vinha de uma cesárea eletivérrima(como ela mesma descreveu), onde mesmo já sendo suuuper a favor do parto normal, foi apavorada no finalzinho da gestação, por sua obstetra(novidade???). Acabou sucumbindo suas convicções e aceitando a tal cesárea salvadora.

Débora engravidou novamente, e dessa vez não permitiria que isso acontecesse. Estava decidida.

A gestação avançou, nos falamos pouco, até que, no auge de suas 30 semanas, ela me procurou novamente.

Fui conhece-la pessoalmente e a sintonia foi instantânea.

Menina linda, família tranquila, decisões embasadas, e um problema:

Era preciso correr atrás do dinheiro para o parto.

Ela, que não se deixa abater fácil, resolveu por seus dotes em prática e começou a confeccionar lindas toquinhas de crochê , que vendem muito bem(como todo trabalho bem feito).

Mas isso ainda não foi suficiente, e como ainda temos 10-12 semanas pela frente, tivemos a ideia de fazer uma vaquinha virtual, inspiradas na ideia da Natasha Orestes(que pagou seu parto arrecadando doações on line). 

Pessoas que acreditam na humanização, teoricamente são sensibilizadas por causas como esta, certo???

Certo.

Parteira facilitou, doula apoiou, e lá vamos nós correr atrás do valor do seu tão sonhado parto domiciliar.

Porque afinal, a humanização não pode, nem deve ser privilégio de mamães de uma ou outra classe, né?

Então vai aqui o link da vaquinha para o parto do Raul:




(na foto, Débora e Vicente esperando Raul)

Qualquer quantia já é profundamente significativa.
Ajuda ai, vai...

Ah, e tem outra coisa...a Débora queria muito, mas muuuito agradecer para todo mundo que colaborasse. Então teve a ideia sensível e delicada de mandar pelo correio para cada colaborador, isso:

Esse pássaro de origami chama-se tsuru. Reza a lenda japonesa que quem dobra mil desses mentalizando e fazendo seu pedido, terá a realização do mesmo. Ainda, quem oferta um tsuru a outra pessoa, está desejando a ela boas vibrações, sáude e prosperidade. 
E é isso que a família do Raul deseja a todos que de alguma forma estão colaborando para que esse sonho se torne realidade! 
A Débora e a mãe dela já estão dobrando tsurus(Débora, tu me emociona demais...tudo vai dar certo, pode acreditar, estamos juntas nessa).


Muiiiito grata desde já.


Bj grande,

Kikadoula

domingo, 7 de julho de 2013

Sexo na gravidez

Sexo na gravidez...
Esse assunto gera bastante polêmica, e como tudo que cerca uma grávida, merece atenção especial.
Quando uma mulher descobre que está grávida pela primeira vez, dificilmente está preparada para as mudanças que estão por vir. Essas mudanças tangem não só o corpo em constante transformação, mas também o psicológico dessa mulher, que estará mais frágil e sensível do que nunca.
O primeiro trimestre gestacional, apesar de para algumas mulheres nem se fazer perceber, para muitas é cheio de incômodos normais desse período, como náuseas, tonturas, desconforto e principalmente insegurança em relação a segurança do seu bebê(considerando que muitas mulheres abortam espontaneamente nesse primeiro momento gestacional). Além disso, existe uma baixa da libido. Isso é natural.
(Em gestações de risco ou com mulheres que tem histórico de aborto, é indicado que se converse com o obstetra de confiança para maiores recomendações e quem sabe, um breve recesso sexual, e qualquer sinal deve ser comunicado ao obstetra, como sangramento ou perda de líquidos.)
Passados os 3 primeiros meses, geralmente a gestante já está mais confortável com sua “condição gravídica”...começa a sentir os movimentos do bebê(aumentando sua confiança na capacidade de gerar) e, ainda, geralmente recupera seu desejo sexual.

Chegam então os mitos do sexo na gravidez...

-O pênis vai machucar o bebê?
Não, não vai. Primeiro por ele não alcançar o bebê, segundo devido ao fato de que o bebê está suuper protegido lá dentro do útero, e amortecido pelo líquido amniótico.

-O sexo vai causar aborto.
Não...o sexo na gravidez não causa aborto, não. Em gestações de risco, o que vale é o que o médico recomendar. Mas se sua gestação está saudável, nada lhe impede fisicamente de ter relações com seu parceiro.

-O bebê vai sentir...
O bebê, no começo da gestação, é pequeno demais para sentir esse tipo de coisa. E quando a gestação estiver avançada, ele apenas vai sentir estímulos motores, como se a mamãe estivesse se exercitando, caminhando ou algo do tipo.

-O orgasmo pode causar parto prematuro.
O orgasmo caracteriza-se, entre outras coisas, por contrações uterinas. Em uma gestação de baixo risco, isso não é um problema.
No final da gestação, inclusive, no caso da gestante ter optado pelo parto normal, essas contrações uterinas podem ser extremamente benéficas, preparando o corpo para o parto.
No sêmen, há uma substância chamada prostaglandina. Essa substância tem o poder de relaxar o colo do útero, sendo indicado então no final da gestação que se PRATIQUE SEXO como auxílio natural para o início do trabalho de parto(bom, né?). Além do mais, os hormônios liberados durante a relação sexual e o orgasmo relaxam a gestante, e isso é bom para o bebê.



Muitas vezes, a gestante não sente-se  confortável a praticar sexo com seu parceiro, por não sentir-se a vontade com o novo corpo que habita. Isso é muito comum e pode trazer insegurança. Acho importante lembrar que na gestação, o que vale é a intimidade do casal, ainda que seja para uma boa conversa ...se você não sente liberdade com seu corpo, é bacana  expor isso de forma tranquila, né? (E sinta-se linda! Com certeza você está!).
Conforme a barriga vai crescendo, as posições sexuais as quais a gestante estava acostumada podem ser desconfortáveis, e vale a adaptação ao novo momento. Conte com a colaboração do seu parceiro e redescubram-se! Toquem-se com carinho, com suavidade, com a gentileza que uma grávida merece! É o ápice da feminilidade!
Nos últimos meses, realmente o desconforto toma conta da gestante, que está com alguns quilos a mais, dores na coluna e inchaços...ela está no seu limite físico! O sexo aqui ainda é liberado, mas vale lembrar que nem só de penetração é feita uma relação sexual. Toques, mimos e carinhos são muito bem vindos.
Muitas vezes os homens sentem-se inseguros com a nova condição da companheira, que afinal, agora carrega seu filho no ventre. Isso pode travá-los. Geralmente uma consulta esclarecedora com o obstetra na presença do papai resolve tudo. Perguntem perguntem e perguntem! Sem medo de ser feliz, gente!
Sexo na gestação, se for da vontade e consentimento de ambos, não só não é prejudicial, como une e aproxima o casal, gerando cumplicidade e harmonia(e isso indiscutivelmente faz bem ao bebê: mamãe feliz, bebê feliz!).
Em suma, o que for bom para os dois é bom para o bebê.
Encontrei um vídeo bem bacana que mostra algumas posições que podem ajudar nessa hora, vale a pena conferir.





Espero ter ajudado.
Abração,

Kikadoula